Crítica

A sublime fragilidade que se apoderou dos Big Thief

A delicadeza destas 12 canções soa a um saudável desapego da agitação cosmopolita.

<i>U.F.O.F.</i> é absolutamente precioso a nível melódico, esquivando-se espantosamente a todos os clichés em que poderia incorrer
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U.F.O.F. é absolutamente precioso a nível melódico, esquivando-se espantosamente a todos os clichés em que poderia incorrer Michael Buishas

Os Big Thief não fizeram a coisa por menos e estrearam-se com um álbum a que chamaram Masterpiece (2016). Não era brilhante. Ainda que estivesse muito longe de ser um “estampanço”. O que acontecia em Masterpiece — e ainda, em parte, no seguinte Capacity (2017) — era uma banda à procura de descobrir-se, baloiçando entre o rock de estirpie indie e uma folk fantasmática. Uma espécie de Angel Olsen em versão banda, mas em que a voz era uma coisa menos arrebatadora e mais soprada, como se Lou Reed pudesse ter sido atirado de novo para o mundo mas no corpo de uma mulher de 25 anos, nada e criada numa comunidade reunida em torno de um culto religioso, em Indianápolis.