Cinco anos depois do golpe na Tailândia, o general Prayuth tornou-se primeiro-ministro

Parlamento tailandês confirmou Prayuth Chan-ocha, que liderou a junta militar desde 2014, como chefe de um Executivo apoiado por uma frágil coligação.

Foto
Prayuth Chan-ocha foi escolhido pelo parlamento como primeiro-ministro ATHIT PERAWONGMETHA / Reuters

O líder da junta militar tailandesa, Prayuth Chan-ocha, foi confirmado como primeiro-ministro e prometeu unir o país, cinco anos depois de ter liderado um golpe que o colocou no poder.

A decisão foi tomada na quarta-feira ao fim de uma sessão parlamentar que durou mais de 12 horas, segundo o Guardian. A escolha de Prayuth foi assegurada por uma frágil coligação de sete partidos, liderada pelo Phalang Pracha Rath (fundado pelos militares), que juntos conseguiram 254 votos entre os 500 lugares na câmara baixa do parlamento.

Prayuth deverá agora liderar um governo apoiado por uma coligação que os analistas consideram frágil e que não garante a aprovação de medidas legislativas cruciais, como o orçamento de Estado que será votado no próximo mês. As negociações entre os vários partidos duraram semanas e as dúvidas sobre a viabilidade da escolha de Prayuth mantiveram-se quase até ao último minuto.

O primeiro-ministro agradeceu aos deputados, deixou apelos para a união entre os tailandeses e prometeu “fazer o seu melhor pela nação, religião, monarquia, e pelo povo”, segundo um porta-voz. “A partir de agora, todos devem cooperar pelo benefício do país e do povo”, acrescentou.

A escolha de Prayuth acontece após as eleições no final de Março, que deveriam marcar o início da transição democrática, ao fim de cinco anos de ditadura militar. No entanto, a nova Constituição aprovada pela junta militar estabelece regras que facilitaram a manutenção de um governo que lhe continua a ser favorável, ao mesmo tempo que impede a ascensão de uma oposição eficaz.

Segundo a Constituição, para que um candidato a primeiro-ministro seja escolhido é necessária uma maioria de votos nas duas câmaras parlamentares, a câmara baixa e o senado, cuja composição foi ditada pelos militares.

Nos últimos anos, a junta também reforçou as leis que punem as críticas às autoridades e à Família Real, que já eram bastante duras. A partilha de comentários considerados críticos do governo nas redes sociais pode valer penas de prisão, por exemplo.

Há duas semanas, o líder da oposição, Thanathorn Juangroongruangkit, foi acusado de violação da lei eleitoral e foi suspenso das suas funções como deputado e pode vir a ser afastado definitivamente do cargo.

Em 2014, Prayuth chegou ao poder na sequência de um golpe militar contra o Governo de Yingluck Shinawatra, irmã de um ex-primeiro-ministro que anos antes também tinha sido afastado pelo Exército, acusado de corrupção. O Pheu Thai, o partido de ambos, continua a usufruir de uma enorme popularidade, especialmente nas zonas rurais, apesar de ser também alvo de uma forte rejeição, sobretudo entre as classes médias urbanas e o sector militar.