Crónica de jogo

A Europa novamente rendida aos pés de Cristiano Ronaldo

Com um hat-trick do capitão português, Portugal derrotou no Estádio do Dragão a Suíça, por 3-1, e no próximo domingo vai disputar a final da Liga da Nações.

Cristiano Ronaldo
Fotogaleria
Cristiano Ronaldo LUSA/JOSE COELHO
Fotogaleria
LUSA/JEAN-CHRISTOPHE BOTT
Fotogaleria
LUSA/FERNANDO VELUDO
Fotogaleria
Reuters/SUSANA VERA
Fotogaleria
LUSA/FERNANDO VELUDO
Fotogaleria
LUSA/JOSÉ COELHO

A exibição não estava a ter a qualidade de há 15 anos, quando Portugal foi exuberante na vitória sobre a Holanda na meia-final do Euro 2004, nem tão-pouco se viu a superioridade exercida perante o País de Gales, quando a selecção portuguesa garantiu o lugar na final do Euro 2016, mas, quando as coisas estavam perigosamente tremidas, a qualidade e inspiração do melhor jogador da história do futebol português assegurou a terceira presença portuguesa numa final da UEFA: com golos aos 88’ e 90’, Cristiano Ronaldo juntou mais um hat-trick para o seu currículo e garantiu a vitória de Portugal sobre a Suíça, por 3-1, na meia-final da Liga das Nações. 

Com um cadastro no último meio ano pouco condizente com o estatuto de um campeão europeu — quatro empates consecutivos —, Fernando Santos fintou as perguntas sobre como iria compatibilizar os talentos portugueses no “onze” contra a Suíça.

Na véspera de Portugal marcar presença pela nona vez numa meia-final de uma competição organizada pela UEFA ou FIFA, o seleccionador, no seu estilo austero, fugiu à questão sobre os nomes do momento (João Félix e Bruno Fernandes), mas garantiu que a estratégia passava “pelo colectivo” e acrescentou que, para vencer, teria de “compatibilizar tudo”.

E a verdade é que Santos atacou a Suíça com os dois “intocáveis” (Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva) e a dupla que promete movimentar muitos milhões nas próximas semanas: Félix e Bruno Fernandes.

Com a colocação do quarteto no “onze”, Portugal ganhava, em teoria, para além do talento, elasticidade no esquema táctico, que podia oscilar entre o 4x3x3 e o 4x4x2, devido à facilidade de Bernardo Silva e Bruno Fernandes preencherem as faixas ou zonas interiores. Com esta opção, Santos tentava também colocar em sobressalto os laterais suíços, conhecidos pela apetência ofensiva, sem que com isso, no meio-campo, o sector mais forte dos helvéticos, a dupla William Carvalho e Rúben Neves deixasse de ter apoio contra um trio robusto: Xhaka, Zakaria e Freuler. A estratégia de Santos não resultou e foi salva por Cristiano Ronaldo.

Ao contrário de Portugal, que muitas vezes parecia confundir-se com o excesso de mobilidade no ataque, a Suíça jogou de forma rígida. Com Shaqiri nas costas de Seferovic, os helvéticos entraram no Dragão sem medo e Patrício viu-se em apuros logo aos 3’: com uma “mancha” evitou o golo de Shaqiri.

Portugal reagiu uma dezena de minutos depois — Ronaldo rematou ao lado após um erro de Akanji —, mas eram os suíços que tinham o controlo e criavam perigo.

Só que quem tem Ronaldo na equipa (e alguma fortuna) está sempre mais perto de ganhar: aos 25’, Mbabu cometeu o pecado de fazer falta sobre o jogador da Juventus e o capitão português, com um “míssil”, começou a fazer história no Dragão.

A vantagem podia ser o tónico que Portugal precisava para assentar o seu jogo e partir para uma exibição tranquila. Não foi isso que aconteceu. Até ao intervalo, a Suíça continuou a mandar, e Seferovic, aos 42’, acertou de raspão no poste. Com 42% posse de bola e menos de metade dos remates do adversário (10-4), Fernando Santos tinha muitos problemas para resolver ao intervalo.

No entanto, apesar de Ronaldo estar em campo — remate com perigo do “7” aos 51’ —, o jogo manteve a tendência. Portugal deixava os suíços ter a bola e as atrapalhações na defesa eram constantes. E foi assim que chegou o merecido empate para a Suíça. Zuber caiu na área, mas Brych deixou seguir, até que Bernardo Silva foi derrubado na área contrária. O árbitro alemão começou por marcar penálti para Portugal, mas após consultar as imagens voltou atrás e assinalou uma falta de Nélson Semedo. Rodríguez aproveitou para fazer o 1-1.

A partir daí, apesar da lesão de Pepe, Portugal assumiu finalmente o controlo. Com Guedes no lugar de Félix, a bola passou a circular quase sempre em pés portugueses, mas o habitual futebol rendilhado era inconsequente.

Até que, quando o prolongamento parecia inevitável, Ronaldo voltou a deixar a Europa rendida aos seus pés: com dois grandes golos (88’ e 90’), o capitão português chegou aos 88 golos pela selecção e garantiu a terceira presença portuguesa numa final de uma competição da UEFA.