E os Óscares honorários de 2019 vão para… David Lynch, Geena Davis, Lina Wertmüller e Wes Studi

A primeira mulher nomeada para um Óscar de realização, uma activista da igualdade de género, um cineasta de culto e um pioneiro actor nativo-americano são os distinguidos este ano.

David Lynch na rodagem de "Mullholand Drive"
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David Lynch na rodagem de Mullholand Drive DR/Academia
Geena Davis
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Geena Davis MARIO ANZUONI/Reuters
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Pasqualino das Sete Beldades valeu a Lina Wertmüller, em 1976, ser a primeira mulher nomeada para o Óscar de Melhor Realizador

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou na segunda-feira os seus Óscares honorários de 2019, que distinguirão desta vez o activismo pela paridade e pela igualdade de género nos media de Geena Davis ou a estonteante carreira de David Lynch como realizador de cinema e televisão, mas também Wes Studio, que se torna assim no primeiro actor nativo-americano a receber um Óscar, e a primeira mulher nomeada para um Óscar de realização, Lina Wertmüller.

Geena Davis, que já tem um Óscar de Actriz Secundária por O Turista Acidental, de Lawrence Kasdan, vai receber três décadas depois o Jean Hersholt Humanitarian Award pelo seu trabalho como fundadora do Geena Davis Institute on Gender in Media, que todos os anos marca a agenda com estudos e programas de apoio para a igualdade nos media. O instituto dedica-se ainda ao fomento de criação de personagens femininas ricas e variadas para várias plataformas. A sua presidente acumula o cargo com o de enviada especial para as Mulheres e Raparigas na ONU e de responsável pelo Bentonville Film Festival.

Na cerimónia de entrega de prémios honorários que terá lugar a 27 de Outubro no Baile dos Governadores da Academia (o seu corpo central e gerente), também David Lynch será homenageado pela sua carreira como realizador, mas também como argumentista e produtor. De Eraserhead (1977) a Inland Empire (2006), a Academia recorda uma “carreira prolífica” que passa por Mulholland Drive (2001), acelera em Estrada Perdida (1997) e se reflecte em Veludo Azul (1986).

“Estes prémios reconhecem indivíduos que dedicaram a sua vida a feitos artísticos e que representam contributos extraordinários para a nossa indústria”, disse o presidente da Academia de Hollywood, John Bailey, citado num comunicado da organização. Entre essas figuras está ainda o actor Wes Studi, americano-Cherokee que “se tornou conhecido por retratar personagens nativo-americanas fortes com pungência e autenticidade” como as que interpretou em Danças com Lobos (1990) ou O Último dos Moicanos (1992), entre outras três dezenas de papéis, diz a mesma nota, sublinhando a faceta política e activista de Studi, também fundador da American Indian Theater Company.  

Já a italiana Lina Wertmüller fez história em 1976 quando se tornou na primeira mulher nomeada para o Óscar de Melhor Realizador por Pasqualino das Sete Beldades – que também lhe deu a nomeação na categoria de Melhor Argumento Original. Agora receberá um Óscar honorário da Academia, que também reconhece as preocupações políticas e sociais no seu cinema, numa filmografia de que se destacam Insólito Destino (1974) ou Os Inativos (1963).

Em 2018, os Óscares honorários foram entregues a Cicely Tyson, Lalo Schifrin, Marvin Levy, Kathleen Kennedy e Frank Marshall.