Operação Teia: Joaquim Couto renuncia à presidência da Câmara de Santo Tirso

O autarca socialista deixa também todos os cargos públicos e partidários que ocupa, mas o advogado do arguido sublinha que a decisão “não é uma admissão de culpa”.

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Bárbara raquel Moreira/arquivo

O presidente da câmara de Santo Tirso, Joaquim Couto, detido no âmbito da Operação Teia, renunciou à presidência da Câmara e a todos os cargos públicos e privados de forma imediata, avançou a RTP, este domingo. O advogado do arguido sublinha, no entanto, que a decisão “não é uma admissão de culpa”. O autarca socialista também deixa, de forma imediata, todos os cargos públicos e partidários que ocupa.

“É uma decisão no sentido de não prejudicar o concelho de Santo Tirso e a sua população, por entender que o interesse do município não ser consentâneo com esta situação”, vincou o advogado Nuno Brandão. "Decidiu também pôr termo a todos os cargos públicos com efeito imediato e também políticos que tem no Partido Socialista, sendo esta uma decisão que foi tomada de forma consciente”, referiu ainda Nuno Brandão.

Esta “decisão visa que possa defender-se sem os constrangimentos que adviriam de ser o presidente da câmara e titular de outros cargos”, acrescentou o advogado.

Eleito pela primeira vez como presidente da Câmara de Santo Tirso em 1982, o autarca foi sucessivamente reeleito até 1999. No segundo Governo de António Guterres, foi nomeado governador civil do Porto, mantendo-se nesse posto até 2002. Em 2013, voltou a candidatar-se e a ganhar a liderança da autarquia de Santo Tirso, tendo sido reeleito quatro anos mais tarde.

A decisão surge um dia depois de o Ministério Público ter pedido prisão preventiva para Joaquim Couto e Manuela Couto, arguidos do processo Teia, que corre no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, informou fonte judicial. Além da prisão preventiva pedida para Joaquim Couto e a mulher, o Ministério Público pediu prisão domiciliária com pulseira electrónica para o autarca de Barcelos. O anúncio das medidas de coação será na segunda-feira às 14h.

O pedido do Ministério Público foi conhecido depois de o presidente do Instituto Português de Oncologia (IPO), José Laranja Pontes, ter saído em liberdade, após o pagamento de uma caução de 20 mil euros.

Operação Teia centra-se nas autarquias de Santo Tirso e Barcelos, bem como no IPO do Porto, e investiga suspeitas de corrupção, tráfico de influência e participação económica em negócio, traduzidas na “viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste directo”, segundo comunicado da Directoria do Norte da Polícia Judiciária, o órgão de polícia criminal que apoia o Ministério Público neste caso.

Detidos pela Polícia Judiciária desde quarta-feira, no âmbito desta operação, continuam também o presidente das câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes, e a empresária Manuela Couto, mulher de Joaquim Couto, administradora da W Global Communication, que já tinha sido constituída arguida em Outubro, no âmbito da operação Éter, relacionada com o Turismo do Norte.

Joaquim Couto e a mulher, a empresária Maria Manuela Couto, foram detidos pela Polícia Judiciária na casa onde residem há cerca de dois meses.

O autarca socialista e a empresária trocaram um apartamento (duplex) frente ao mar, em Leça da Palmeira, Matosinhos, por uma casa no resort de luxo de Vale Pisão, em Água Longa, uma freguesia do concelho de Santo Tirso. Trata-se de um condomínio de luxo completamente vedado e com acesso restrito e segurança 24 horas por dias. A vivenda que a família Couto foi estrear sofreu obras interiores antes de ser habitada.

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