Um jogo de Premier League na final da Liga dos Campeões

Na cidade do tricampeão que não passou dos quartos-de-final, serão duas equipas inglesas, Liverpool e Tottenham, a disputar o encontro decisivo da Champions.

Foto
Reuters/TOBY MELVILLE

Inglaterra pode estar de saída da União Europeia (se é que vai sair mesmo), mas é garantido que o título de campeão europeu de clubes em 2019 vai ser inglês. É a única certeza da final da Liga dos Campeões que se realiza neste sábado (20h, TVI) no Wanda Metropolitano, casa do Atlético de Madrid, e que vai ser uma espécie de jornada suplementar da Premier League inglesa. Liverpool e Tottenham vão jogar pelo prémio maior do futebol europeu que esteve em mãos espanholas nos últimos cinco anos – quatro títulos para o Real Madrid, um para o Barcelona.

Numa competição que é cada vez mais uma luta de ligas e cada vez menos uma luta de campeões, este ano ganhou a Premier League (que também ganhou a Liga Europa), e o campeão inglês das duas últimas temporadas, o Manchester City, nem sequer está nesta final.

Depois de um Chelsea-Manchester United em 2008, está será a segunda final de Champions All England, desta vez entre um histórico, o Liverpool, que vai em busca da consolação europeia depois de ter falhado por pouco o título interno, e um estreante absoluto, o Tottenham, nestas andanças europeias – ganhou duas vezes a Taça UEFA e uma Supertaça Europeia, mas não é a mesma coisa.

A reviravolta e o milagre

Liverpool e Tottenham são ambos responsáveis por esta não ser a final que Johan Cruyff, o holandês mais catalão de sempre, gostaria de ter visto. Os “reds” afastaram o Barcelona numa incrível reviravolta em Anfield, enquanto os “spurs” tiveram o seu milagre em Amesterdão frente ao jovem Ajax cortesia de Lucas Moura.

Esse não foi, aliás, o único milagre da equipa de Pochettino nesta Champions. Antes, nos quartos-de-final frente ao Manchester City, houve vários: primeiro foi Fernando Llorente a marcar o golo que deu a vantagem; depois, foi a arbitragem desse jogo a anular o golo de Sterling que daria o apuramento a Guardiola.

Entre os dois, é o Liverpool de Klopp que tem maiores contas a ajustar com a história. Desde que o alemão chegou a Anfield em 2015, perdeu todas as finais que disputou (foram seis), incluindo a da Champions da época passada frente ao Real Madrid, ele que já tinha perdido uma final enquanto técnico do Dortmund.

PÚBLICO -
Aumentar

Azarado ou recordista?

Será Klopp o treinador mais azarado de sempre? “Acham que eu tenho uma carreira azarada? Acho que não. Desde 2012, com a excepção de 2017, estive sempre com a minha equipa numa final. Portanto, nos últimos sete anos, devo ser o recordista mundial a ganhar meias-finais. Se escrevesse um livro sobre isso, provavelmente ninguém comprava”, argumenta Klopp.

O azar do Liverpool na final de 2018 em Kiev teve várias razões: a lesão de Salah num lance pouco claro com Sergio Ramos; a exibição desastrada de Loris Kariuz na baliza “red”; e o último grande jogo de Gareth Bale com a camisola do Real Madrid. “As circunstâncias foram diferentes, as equipas eram diferentes. Um golo de classe mundial e dois golos estranhos fizeram a diferença”, acrescentou o técnico alemão.

E, depois dessa final, os “reds” reforçaram o investimento na equipa com alguns reforços cirúrgicos que têm feito a diferença, como o guarda-redes Alisson Becker (65 milhões) e os médios Keita (60 milhões) e Fabinho (45 milhões). Quase que deu para a Premier League e talvez dê para a Champions.

Ainda assim, Klopp já tem alguns títulos no currículo, todos conquistados no Borussia Dortmund, ao contrário de Mauricio Pochettino, que ainda está em busca do primeiro troféu como treinador. Só que, ao contrário do Liverpool, os bolsos do Tottenham são bem menos fundos – teve de poupar para construir um estádio novo - e o técnico argentino tem de manter a equipa competitiva sem gastar dinheiro. Mas essa não foi a única dificuldade.

“Tivemos de ser fortes logo no início da época, há dez meses. Na altura, não podíamos contratar jogadores e, por isso, decidimos não vender ninguém. Só vendemos o Mousa Dembelé para a China. Não pudemos jogar no nosso estádio até há poucos meses. E aqui estamos, na fase crucial da época, e tudo isto fez-nos mais fortes”, reconhece Pochettino, que teve de sobreviver aos últimos meses sem Harry Kane devido a lesão – o internacional inglês fez a viagem até Madrid e o argentino admite dar-lhe minutos na final.