Ataque contra camião no Norte de Moçambique faz 16 mortos

A viatura transportava pessoas e mercadorias entre Mucojo e Quiterajo, no distrito de Macomia, em Cabo Delgado. É um dos mais ataques mais mortíferos da onda de violência que assola a região.

Atanásio Mtumuke
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Desde Outubro de 2017, os ataques na província de Cabo Delgado já fizeram pelo menos 200 mortos ANTÓNIO SILVA/LUSA

Uma emboscada a uma viatura de mercadorias que transportava passageiros no norte de Moçambique fez 16 mortos na terça-feira, num dos mais sangrentos ataques na onda de violência que assola a região, disseram esta sexta-feira à Lusa fontes locais.

A viatura de caixa aberta transportava várias pessoas e suas mercadorias de Mucojo para Quiterajo, durante a tarde, num caminho de terra batida junto à costa no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado.

A viagem foi interrompida já perto do destino quando a viatura foi alvo de uma emboscada por homens armados que começaram a disparar. Segundo o relato de fontes locais, residentes e autoridades, algumas pessoas fugiram, mas oito, entre as quais três militares, morreram no local, queimadas, depois de os agressores terem incendiado a viatura.

Outras sete ainda receberam socorro em comunidades próximas, mas acabaram por morrer, várias com ferimentos de bala. Um outro corpo de um passageiro veio a ser encontrado nas imediações, com sinais de ter sido alvejado, suspeitando-se que tenha tentado fugir, mas os seus ferimentos eram demasiado graves.

As oito pessoas que morreram queimadas na viatura acabaram por ser enterradas no local, devido à falta de acessos, acrescentaram as mesmas fontes.

O distrito de Macomia tem sido um dos mais afectados pelos ataques armados levados a cabo por grupos criados em mesquitas da região e que começaram em Outubro de 2017, em Mocímboa da Praia. Pelo menos 200 pessoas foram mortas.

Os observadores eleitorais do Centro de Integridade Pública (CIP), ONG moçambicana, relataram 13 ataques em maio, com 25 mortes, dezenas de feridos, centenas de casas queimadas e muitas aldeias abandonadas.

Os elementos do CIP acompanharam o recenseamento eleitoral, que decorreu entre 15 de Abril e esta quinta-feira, e a contabilidade acerca dos ataques ainda não inclui as mortes relatadas na terça-feira em Quiterajo.