Largo de S. Sebastião com menos estacionamento e mais passeio

O coração das Avenidas Novas estará repleto de obras nos próximos anos. Uma delas é no Largo de São Sebastião da Pedreira, cujo projecto segue os padrões de outras intervenções nas praças lisboetas.

A fotomontagem do projecto apresentada na segunda-feira
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A fotomontagem do projecto apresentada na segunda-feira DR

O Largo de São Sebastião da Pedreira é o próximo espaço público em que a câmara de Lisboa vai mexer. Inserida no programa Uma Praça em Cada Bairro, a intervenção segue os mesmos moldes de outras que a autarquia já promoveu: aumento das áreas pedonais, criação de ciclovia e redução do estacionamento serão as consequências mais visíveis.

O projecto prevê a criação de uma zona pedonal de grande dimensão em frente ao Palácio Vilalva, usado pelo Exército, a iniciar-se na esquina da Rua Dr. António Cândido. Actualmente usado para estacionamento automóvel e com duas vias de circulação, esse espaço ficará sem lugares para carros e terá bancos e árvores.

É a mudança de maior monta que se encontra no projecto do atelier Hipólito Bettencourt, que na segunda-feira foi apresentado à população precisamente no Palácio Vilalva. Como que antevendo que as maiores dúvidas pudessem advir da supressão de estacionamento, os oradores fizeram-se acompanhar de diapositivos onde informam que, ao todo, a obra implicará a perda de 69 lugares – não só na praça propriamente dita mas também nas ruas adjacentes: Marquês Sá da Bandeira, Nicolau Bettencourt e Dr. António Cândido. Já as ruas Augusto dos Santos, Tomás Ribeiro e Carlos Testa terão um ligeiro acréscimo de lugares de estacionamento.

A obra neste largo, no coração das Avenidas Novas, é uma das cinco que esta zona da cidade vai ter nos próximos anos. A câmara quer arrancar com os trabalhos da nova rede viária da Praça de Espanha no segundo semestre e com a construção do parque urbano no fim de 2019. Para a mesma altura está marcado o início das obras na Rua de Campolide e, na primeira metade de 2020, em São Sebastião da Pedreira, seguindo-se uma intervenção na Av. José Malhoa, ainda sem data e sem pormenores conhecidos.

Para lá das mudanças no trânsito e estacionamento automóvel, o projecto contempla ainda o prolongamento da ciclovia na Rua Nicolau Bettencourt, ligando à que já existe junto aos muros da Fundação Gulbenkian. Do largo sairá uma nova ciclovia, pela Rua Dr. António Cândido, com ligações à Rua Latino Coelho e à Avenida Duque de Ávila.

Entre o fim do ano passado e o início deste ano, a câmara promoveu uma consulta pública online em que perguntava aos lisboetas o que gostariam de mudar em cinco locais da cidade que, em breve, vão ter obras no âmbito do Uma Praça em Cada Bairro. Segundo agora foi revelado, houve 222 participações relativas ao Largo de São Sebastião da Pedreira, a maioria sem sugestões concretas para as obras. As maiores críticas de moradores e trabalhadores daquele local visaram o “estacionamento desordenado e caótico” (32%) e o “espaço público sem coerência e inseguro” (22%), registando-se ainda queixas relativas ao “mau estado de conservação das vias e passeios” (10%).

Entre as sugestões dadas nesse inquérito, a que teve mais expressão foi a “eliminação de estacionamento” (30%), seguida de “espaços verdes” (21%). O projecto prevê a plantação de 43 novas árvores (que na fotomontagem divulgada já surgem bem grandes, o que não deve acontecer num futuro próximo), mas não existirá um espaço verde na habitual acepção do termo. A obra prevê, por fim, a instalação de 12 bancos, um bebedouro e dois estacionamentos para bicicletas.

Depois da reunião de segunda-feira, o grupo cívico Vizinhos das Avenidas Novas decidiu lançar na sua página de Facebook um inquérito para propor eventuais alterações ao projecto, cujo concurso público de obras deve ser lançado apenas no segundo semestre deste ano.

Esta é a segunda obra do programa Uma Praça em Cada Bairro que é lançada no actual mandato autárquico (a primeira foi a da Alameda do Beato). Ao abrigo deste plano, a câmara já interveio em 17 locais da cidade (se incluirmos a intervenção do chamado “eixo central” entre o Marquês de Pombal e o Campo Pequeno) e tem a intenção de intervir em mais 28.

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