Ainda podem acontecer “coisas boas” com a Coreia do Norte, diz Trump

O Presidente dos EUA encontrou-se com o primeiro-ministro japonês e mantém-se optimista em relação à Coreia do Norte, apesar dos recentes testes de mísseis.

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Shinzo Abe (esquerda) recebeu Donald Trump em Tóquio JONATHAN ERNST / Reuters

O Presidente norte-americano, Donald Trump, mantém-se optimista de que “coisas boas” podem ainda vir a acontecer em relação à Coreia do Norte, apesar dos recentes lançamentos de mísseis pelo regime.

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, mantém-se optimista de que “coisas boas” podem ainda vir a acontecer em relação à Coreia do Norte, apesar dos recentes lançamentos de mísseis pelo regime.

Trump encontrou-se esta segunda-feira em Tóquio com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e reiterou a sua convicção de que as iniciativas diplomáticas tomadas pelos EUA e pela Coreia do Norte foram acertadas. “Chegámos longe, não tem havido testes de mísseis, não tem havido testes nucleares, tem havido muito pouca actividade nesse ponto de vista, chegámos longe com a Coreia do Norte”, afirmou Trump, ao lado de Abe.

No início do mês, o regime de Pyongyang realizou dois testes balísticos no período de uma semana, quebrando um hiato neste tipo de lançamentos que durava há mais de um ano.

Os testes foram interpretados como uma manifestação de insatisfação por parte do regime liderado por Kim Jong-un em relação ao falhanço da cimeira de Hanói – interrompida abruptamente depois de Kim e Trump não terem chegado a qualquer acordo.

A Coreia do Norte apelidou de “ignorantes” as declarações do conselheiro para a Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, que na semana passada disse que os testes realizados pelo regime violam as resoluções das Nações Unidas. 

“A acusação é mais do que ignorante, os nossos exercícios militares não tiveram nenhum alvo, nem puseram em perigo os países mais próximos”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência estatal KCNA.

A ausência de testes balísticos e nucleares por parte da Coreia do Norte era até agora o progresso mais palpável do processo diplomático iniciado no início de 2018, com a reaproximação entre as duas Coreias. Os EUA esperam que o regime dê passos concretos rumo à desnuclearização total, mas Pyongyang não aceita avançar sem que lhe sejam dadas garantias concretas de segurança. Em Hanói, Kim terá exigido o levantamento de parte das sanções económicas impostas pelo Conselho de Segurança da ONU.

Apesar do regresso dos testes à Península Coreana, Donald Trump parece não querer abrir mão dos progressos obtidos nos últimos dois anos, durante os quais diz ter havido “grandes diferenças”. “Só o tempo dirá, vamos ver se alguma coisa de construtivo pode ser feita, vamos ver se alguma coisa construtiva poderá sair daquilo que temos feito”, afirmou o Presidente dos EUA.

A Coreia do Norte representa a principal ameaça à segurança do Japão e Abe demonstrou sempre bastante relutância em apoiar os esforços diplomáticos junto de Kim – ao contrário, por exemplo, do Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, o grande impulsionador deste processo.

Em Tóquio, Trump irá encontrar-se também com familiares de japoneses raptados durante os anos 1960 e 1970 pelo regime norte-coreano, que os queria usar para treinar espiões. Cinco cidadãos foram entregues pela Coreia do Norte ao Japão em 2002, mas o Governo nipónico acredita que mais pessoas permaneçam sob custódia do regime.

No domingo, Trump encontrou-se com o imperador japonês Naruhito, tornando-se no primeiro líder mundial a ser recebido pelo monarca que assumiu o trono no início do mês, após a abdicação histórica do pai, Akihito. “Há mais de 200 anos que uma coisa destas não acontecia, portanto é uma grande honra estar a representar os Estados Unidos”, afirmou Trump.