Trump e Kim dão o seu melhor num espectáculo diplomático em Hanói

Um aperto de mão, sorrisos e talvez poucos resultados concretos. Mas o mais importante para os líderes dos EUA e da Coreia do Norte é mostrar que a sua relação está cada vez melhor.

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Um dos momentos em que Kim e Trump apertaram as mãos Leah Millis/REUTERS
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A imagem do encontro dos dois Presidentes foi retransmitida por toda a Hánoi Kim Hong-Ji/REUTERS

O segundo encontro de Donald Trump e Kim Jong Un começou com um aperto de mão em que concentraram as atenções do mundo. Em imagens transmitidas por toda a capital do Vietname, onde os dois líderes se reúnem, Trump caminhou até Kim, com a palma da mão direita virada para cima, num cenário de bandeiras norte-americanas e norte-coreanas intercaladas, e os dois lideres juntaram as mãos, virando-se em sintonia para as múltiplas câmaras que aguardavam para captar todas as suas expressões e gestos.

Sob os holofotes montados no luxuoso hotel Metropole, Trump repetiu elogios feitos no encontro anterior, em Singapura, chamando a Kim "grande líder" e voltou a falar do "tremendo potencial económico" ao dispôr da Coreia do Norte. Kim respondeu saudando a "decisão corajosa" tomada por Trump quando aceitou encontrar-se com ele, tornando-se no primeiro Presidente norte-americano em funções a fazê-lo.

“Ambos fizeram um esforço para mostrar que a sua relação melhorou desde a última vez – e primeira – que estiveram juntos [na cimeira de Singapura, em Junho do ano passado]”, disse à Reuters Allan Pease, um especialista em linguagem corporal australiano, autor de vários livros sobre o tema. “O efeito de espelho entre ambos é bastante forte.”

Este efeito, explicou Pease, é o que acontece quando as pessoas querem mostrar que têm uma ligação e imitam a linguagem corporal um do outro, para tentarem pôr a outra pessoa à vontade. Kim juntou as mãos no colo enquanto Trump se colocou na sua característica posição de juntar as mãos entre os joelhos, quando está sentado. Executam quase um pas-de-deux perfeito quando estão no palco, a aproximar-se para o aperto de mão.

Depois desta coreografia, foi a vez de um jantar formal, com as figuras de topo das comitivas presidenciais. Do menu constavam pratos como uma salada de camarão e abacate, bife do lombo com kimchi fermentado dentro de uma pêra e lava de chocolate para a sobremesa.

Quinta-feira é que deverá ser o principal dia da cimeira. Enquanto os Estados Unidos querem que a Coreia do Norte se comprometa a desmantelar o seu programa de desenvolvimento de armas nucleares, a Coreia do Norte procura obter de Washington várias concessões – incluindo o fim das sanções económicas, algumas delas impostas mesmo depois da cimeira de Singapura, mas também um acordo de paz que encerre definitivamente a Guerra da Coreia, terminada com a assinatura de um armistício em 1953.

Do encontro entre Trump e Kim do ano passado, não resultou nenhum compromisso firme e concreto. Houve, em vez disso, um apaziguamento no clima entre os dois países – a retórica durante o ano anterior tinha alcançado níveis que se tinham tornado assustadores, para dois países com armas nucleares.

Mas, é preciso não esquecer, ambos estão em Hanói para dar um espectáculo tendo o mundo como plateia. “Ambos sorriram só quando se esperava que o fizessem, e praticaram bastante. Estavam a representar”, afirmou à Reuters Kim Hyung-hee, director do Laboratório de Linguagem Corporal da Coreia.