Quem quer substituir Theresa May? Há muitos nomes mas poucas certezas

Corrida à liderança do Partido Conservador começa a 10 de Junho. Boris Johnson parte como favorito numa lista longa de possíveis candidatos.

A lista de potenciais candidatos é longa, mas por enquanto só três já assumiram que vão disputar os lugares que Theresa May deixa no dia 7 de Junho (líder do Partido Conservador e primeira-ministra). O partido quer que o sucessor esteja escolhido a meio de Julho.

Boris Johnson, 54 anos

Foi o rosto da campanha para a saída do Reino Unido da União Europeia. May nomeou-o ministro dos Negócios Estrangeiros, mas Boris Johnson demitiu-se em Julho de 2018, em protesto contra a forma como a primeira-ministra conduzia as negociações do “Brexit”. Já deu a conhecer a intenção de se candidatar à liderança do partido. “Claro que me vou candidatar”, disse na Suíça, onde se encontra. “Um novo líder terá a oportunidade de fazer as coisas de maneira diferente e aproveitar o embalo de uma nova administração”, afirmou. Mas quando David Cameron se demitiu, após o referendo de 2016, ficou de fora da corrida. É o favorito das casas de apostas na batalha pela sucessão.

Dominic Raab, 45 anos

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Demitiu-se do cargo de ministro do “Brexit” no ano passado, em protesto pelo acordo que Theresa May estava a delinear com a União Europeia, dizendo que as promessas feitas pelo Partido Conservador nas eleições de 2017 não estavam a ser cumpridas. Esteve apenas cinco meses no cargo. Antes, tinha tido funções de menor responsabilidade em outros governos, após ter sido eleito deputado pela primeira vez em 2010. Este brexiteer que é cinturão negro de karaté ainda não declarou a candidatura, mas quando lhe perguntaram se gostava de ser primeiro-ministro, respondeu: “Nunca digas nunca”.

Jeremy Hunt, 52 anos

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É ministro dos Negócios Estrangeiros desde Julho de 2018. Tem multiplicado os apelos ao Partido Conservador para que se ponham de parte as diferenças sobre o “Brexit” e haja união contra um inimigo comum: a União Europeia. No entanto, no referendo de 2016 pela permanência do Reino Unido na UE Hunt votou Remain. Durante seis anos foi ministro da Saúde – o que o tornou bastante impopular junto de muitos eleitores que trabalham ou dependem do Serviço Nacional de Saúde, que tem muitos constrições financeiras. Num almoço com jornalistas no Parlamento perguntaram-lhe se estava a planear candidatar-se à liderança. Respondeu: “Esperem para ver”.

Andrea Leadsom, 56 anos

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Fez campanha a favor do “Brexit” no referendo e candidatou-se à liderança após a saída de David Cameron. Mas retirou-se da corrida quando um comentário que fez uma entrevista teve uma reacção negativa - disse que por ter ser mãe tinha mais a dizer sobre o futuro do país do que Theresa May, que não tem filhos. Era líder parlamentar dos conservadores na Câmara dos Comuns, mas demitiu-se na quarta-feira porque, explicou, não acredita na abordagem da equipa de May para o “Brexit”. Disse à televisão ITV que está “a pensar seriamente candidatar-se”.

Michael Gove, 51 anos

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Na campanha do referendo de 2016, Gove foi um dos principais protagonistas do bloco que defendeu a saída, ao lado de Boris Johnson. Mas em vez de apoiar Johnson na luta pela liderança do partido, candidatou-se ele próprio, sem sucesso. Desde que voltou ao Governo, como ministro do Ambiente, tornou-se um surpreendente aliado de Theresa May, e apoiou a sua estratégia para o “Brexit”. Ainda não disse se pretende candidatar-se outra vez.

David Davis, 70 anos

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É um eurocéptico histórico e foi o primeiro ministro do “Brexit”, responsável pelas negociações com a UE para a saída do Reino Unido da União Europeia. Demitiu-se por discordar dos planos de Theresa May para a relação a longo prazo com o bloco europeu. Concorreu à liderança dos tories em 2005, contra David Cameron, mas perdeu. Disse a uma revista que se o líder dos conservadores fosse escolhido como são os principais gestores das empresas ele seria o próximo. “Mas a decisão não é tomada dessa forma”, concluiu.

Sajid Javid, 49 anos

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Este ex-banqueiro já teve vários cargos ministeriais e é actualmente ministro do Interior. Filho de imigrantes paquistaneses, tem um retrato da primeira-ministra Margaret Thatcher na parede do seu gabinete e tem uma popularidade consistente em sondagens internas do Partido Conservador. Votou pela permanência do Reino Unido na UE em 2016, mas antes era considerado um eurocéptico. Não disse ainda se planeia candidatar-se à liderança do partido, mas é visto como alguém que tem estado a preparar o assalto ao poder.

Graham Brady, 51

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Especula-se que o secretário do Comité 1922, formado pelos deputados conservadores que não têm funções no Governo, e que foi um dos motores da oposição interna a Theresa May, tem planos para se candidatar à liderança do partido. Mas também há indicações em sentido contrário – é ainda uma incógnita.

Penny Mordaunt, 46 anos

A actual ministra da Defesa – a primeira mulher no cargo – era um dos últimos defensores do “Brexit” no Governo de Theresa May; todos os outros saíram. Oficial da Marinha Real britânica na reserva, Mourdant foi anteriormente ministra do Desenvolvimento Internacional. Muitos antecipavam que se juntasse à vaga de demissões que se seguiu à publicação da primeira versão do acordo de saída negociado por May com a União Europeia, mas manteve-se no cargo.

Esther McVey, 51 anos

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A ex-apresentadora de televisão defensora do “Brexit”, que se demitiu de ministra do Trabalho e Segurança Social em Novembro, em protesto pelo acordo firmado por Theresa May com a União Europeia, já confirmou ter planos para disputar a liderança do Partido Conservador. “Sempre disse que se tivesse apoio suficiente dos meus colegas me candidataria. Agora que tenho esse apoio, vou em frente”, disse à Talk Radio.

Rory Stewart , 46 anos

O ex-diplomata que fez uma viagem a pé de mais de 9600 km, através do Irão, Afeganistão, Paquistão, Índia e Nepal, foi promovido a ministro do Desenvolvimento Internacional este mês de Junho. Educado no exclusivo colégio privado de Eton, foi eleito deputado em 2010. Votou “remain” no referendo de 2016. É contra uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo e tem sido um forte apoiante do acordo assinado por Theresa May com Bruxelas. Já disse que avança para a disputa da liderança. “Quero unir este país. Aceito o ‘Brexit’, mas quero chegar aos eleitores do ‘remain’ também”, disse à BBC.

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