Elas são difíceis de enquadrar, e isso é bom

Situam-se algures entre os códigos pop e os desafios das vanguardas. Talvez por isso Laurie Anderson seja sempre referenciada quando se pensa na música de Julia Holter, Holly Herndon, Grouper, Julianna Barwick ou Laurel Halo. Uma descendência não rejeitada, mas também não assumida.

Julia Holter
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São mulheres, quase todas americanas, na casa dos 30, e a sua música expõe tanto de sensibilidade pop quanto de desejo de experimentação. Ao longo da história da música popular sempre existiram cantoras-compositoras que se moveram algures entre esses dois universos, mas dir-se-ia que nos últimos anos se afirmaram em maior número. De Julia Holter a Holly Herndon, passando por Julianna Barwick, há inúmeros exemplos com pontos de ligação. E por princípio, quando se pensa em movimentos – dos dadaísmos aos minimalismos – ou figuras que as poderão ter influenciado, alguns nomes surgem de imediato: Steve Reich ou John Cage, Meredith Monk e, principalmente, Laurie Anderson, talvez porque quando surgiu, nos anos 80, foi ocupar um lugar só seu, algures entre as linguagens de vanguarda, alguma pop e as agitações artísticas.