Pedro Marques, a jogar em casa, vira-se para a esquerda: “Defendem mesmo a saída do euro?”

O socialista começou o dia no concelho de onde é natural. Numa terra de disputas autárquicas entre PS e PCP, não poupou os aliados do Governo. Pedro Marques quer que BE e PCP falem das consequências da saída do euro, que defendem.

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Pedro Marques (PS) LUSA/MIGUEL A. LOPES

A manhã socialista começou em terras que o candidato conhece desde que nasceu. Natural do Montijo, foi falando com quem encontrava na rua e apelando ao voto: “Ao menos agora podem votar num conterrâneo”, ria-se. Pedro Marques foi espicaçado logo de manhã pelo Bloco de Esquerda a explicar o seu posicionamento em relação a alianças na Europa e se primeiro respondeu à pergunta, ao meio-dia já estava ao ataque aos partidos à esquerda do PS. Se lhe perguntam pelas alianças com Macron, o socialista devolve com perguntas sobre a saída do euro: “Defendem mesmo a saída do euro? Sabem o que isso poderia representar para Portugal?”, questiona num almoço-comício no Barreiro.

Tudo começou em Aveiro com o discurso de Pedro Nuno Santos, ministro das Infra-Estruturas e Habitação, que esta terça-feira - depois de António Costa se ter encontrado com o presidente francês, Emmanuel Macron - pediu aos socialistas que se concentrem na mensagem da social-democracia e do socialismo-democrático, uma vez que o liberalismo não é a resposta para combater os populismos. Perante este discurso, a candidata bloquista quis saber afinal o que defendem os socialistas.

Logo de manhã, questionado sobre este assunto, Pedro Marques recusou haver uma contradição entre o que defendia o ministro e o primeiro-ministro: “Temos de conseguir construir uma coligação de europeístas contra a extrema-direita, contra nacionalismos, contra xenofobia”, vincou. “Essa coligação pode incluir gente da minha família política, a família conservadora ou a família liberal, desde que não se ultrapasse essa barreira da xenofobia, dos nacionalismos, dos extremismos. Seria uma coligação pelo progresso da Europa pelo avanço do projecto europeu”, esclareceu o candidato socialista esta quarta-feira.

A pergunta da bloquista acicatou o socialista, que devolveu várias perguntas aos partidos à sua esquerda. Primeiro, colocou o PS como o “guardião da responsabilidade orçamental”, quando à direita havia críticas que diziam que não havia alternativa e que não era possível implementar o programa do PS, e à esquerda por as regras europeias serem um travão. “Foi o PS - e é sempre o PS em Portugal”, começou por dizer. “Nós provámos que era possível mais emprego, menos pobreza com as contas em ordem. Isso está a crédito do PS e nem a esquerda à nossa esquerda nem a direita podem reclamar para eles esse património porque esse é património da governação do PS e do António Costa”.

A seguir, as perguntas: “Também tenho de perguntar ao BE e ao PCP onde estão” em “matéria de saída do euro”.

O socialista lembrou que o PCP “fala explicitamente de saída do euro” e que o BE, pela voz de Catarina Martins, já falou em “preparação para a saída”. “Ideias que parecem simples”, referiu, mas que na verdade “têm muito que se lhe diga e podem representar um grande perigo”, defendeu. “Eu gostava de recordar aos portugueses que saída do euro é desvalorização das nossas pensões, desvalorização dos nossos salários, do valor dos nossos depósitos bancários, nacionalização dos bancos, de empresas e desemprego”, apontou.

Nesta recta final da campanha, Pedro Marques acabou por surpreender nos ataques à esquerda. Contudo, estava em terras da margem sul do Tejo, onde não há uma relação entre PS e PCP, mas sim uma grande disputa. Em 2017, o PCP perdeu várias câmara para o PS, nomeadamente a do Barreiro, onde andou o candidato socialista e a de Almada. No Montijo, a sua terra natal, os socialistas aumentaram a distância para os comunistas.

Eduardo Cabrita sugere que PS está mais próximo de Merkel do que do CDS

Já o dirigente socialista Eduardo Cabrita acusou o CDS de estar a “branquear” a extrema-direita europeia, sugerindo que o PS está mais próximo da CDU de Angela Merkel do que do CDS. “Com Espanha, com França, com a senhora Merkel, temos estado do lado da solidariedade. Com a Grécia. Com todas as forças que sabem que a Europa é solidariedade no acolhimento de migrantes e refugiados”, declarou Eduardo Cabrita, durante um almoço comício no Barreiro.

Para o também ministro da Administração Interna, o CDS parece estar “novamente alinhado com a extrema-direita europeia, com [o partido espanhol] Vox, com o senhor Órban da Hungria”, razão pela qual a escolha de domingo, dia de eleições para o Parlamento Europeu, deve ser na Europa “que salva refugiados” no Mediterrâneo.

Cabrita considera que a escolha no próximo domingo deve recair no PS, que representa a “Europa da solidariedade” e não “na Europa que está a branquear a extrema-direita europeia”, em Portugal representada pelo CDS, da mesma família política que a CDU da chanceler alemã. Com Lusa