Um CDS mais à direita e cada vez menos ao centro emerge nas europeias

Partido que se assume de direita, mas sem extremismos, e se afaste do centro ocupado por um PSD que faz acordos com o PS. Mais conservador, mas onde continuam a caber todas as tendências. Será este o caminho para o CDS crescer? Nuno Melo parece acreditar que sim.

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Nuno Melo LUSA/Nuno André Ferreira

“Somos a direita com orgulho.” A frase tem sido repetida por Nuno Melo ao longo da campanha para as europeias. Um partido que não renega totalmente o centro onde hoje diz estar Rui Rio, mas que prefere usar só a palavra “direita”. Um CDS democrata-cristão, contra o extremismo, mas que parece querer assumir-se mais conservador. Melo abordou neste sábado estas questões e tudo ficou mais claro.

Durante a manhã deste sábado, após uma acção de campanha no mercado municipal de Ovar, o número um da lista do CDS às europeias, após ver o partido surgir em quinto lugar numa sondagem, atrás de PCP e BE, subiu o tom do discurso da dramatização. Numa clara mensagem para que o seu eleitorado não fique em casa no dia do voto para as europeias, o candidato centrista lançou-se contra os “extremismos de esquerda”.

“Com os extremismos a crescerem na Europa, o CDS é a direita da tolerância. A extrema-esquerda defende o oposto. O BE e o PCP combatem a União Europeia, o euro, o tratado orçamental, a participação de Portugal na NATO, seria muito importante que o CDS ficasse com mais votos que o BE e do PCP. Essa é uma batalha importante agora que entramos na última semana de campanha.”

Mas também foi lembrando que a direita está a crescer em França, Itália, na Grécia, em Espanha, na Alemanha. Melo diz ser “realista” e para já não pede mais do que ficar à frente do BE e PCP. Mas tem esperança de que as coisas mudem um dia. “Não há partidos perpétuos, nem donos da vontade dos outros. (…) Ninguém é dono dos votos. Quem achar também que em Portugal os votos são perpétuos e os partidos só por o serem têm direito às vitórias, olhe bem para o vento da história que isso pode mudar. E quando mudar, o CDS será talvez o sinal dessa mudança”, afirmou.

Já à tarde, em Oliveira do Bairro, questionado pelo PÚBLICO sobre se o CDS quer caminhar mais para a direita e estar menos no centro, Melo respondeu: “O CDS sempre foi um partido de direita democrática e moderada. Sociologicamente há hoje em Portugal muitas pessoas que se sentem de direita e que têm de estar representadas na Assembleia da República e no Parlamento Europeu.”

E estar menos ao centro tem uma justificação. Melo lembrou que o PSD, de Rui Rio e Paulo Rangel, assume ser de um centro político que “faz acordos de legislatura” com o PS e que diz estar pronto “para validar um Governo do Bloco Central”. E conclui que há outro caminho que o CDS deve seguir. “Sociologicamente, este espaço, que é de direita, tolerante e democrática, tem estar representada por mandatos na Assembleia da República e no Parlamento Europeu”, afirmou.

Acentuou várias vezes que “o CDS distingue-se da extrema-direita, que combate”: “É um partido democrático que assume sem complexos nem constrangimentos à direita que representa. Se o CDS não existisse a direita não tinha representação política. Somos a direita da tolerância e é esse espaço político que reclamamos e que poderá ter um bom resultado nas próximas eleições.”

“O CDS é um partido onde gravitam liberais, democratas-cristãos – [que são] uma tendência mais ao centro – e conservadores. Nós somos isso tudo (…) e quando eu acentuo que somos a única alternativa para quem é de direita em Portugal é exactamente porque, entre outras coisas, o PSD hoje está posicionado ao centro”, insiste.