Na arte de Manuel Zimbro, escuta-se o invisível

Na Galeria Quadrum, em Lisboa, a maior exposição consagrada a Manuel Zimbro ilumina o trabalho de um artista para quem a escrita e o desenho eram inseparáveis, elementos e produtos da mesma sensibilidade à impermanência das coisas.

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Poesia ou arte visual? Poeta ou artista visual? Na Galeria Quadrum, em Lisboa, o arquitecto André Maranha e Tobi Maier, o director artístico das Galerias Municipais, interrogam-se sobre a resposta apropriada. Em que categoria colocar Manuel Zimbro (1944-2003), que, indiferente às necessidades da carreira, escreveu e desenhou com a mesma sensibilidade e atenção poética? “Não é possível chegar a qualquer conclusão”, respondem em uníssono. “A pergunta é justa, mas não sei se ele escrevia para estes desenhos e esculturas, ou se a escrita os antecedia”, medita o arquitecto. “Talvez não se possa falar na reunião das duas coisas separadas. Ele está a trabalhar no momento em que estas coisas são indistintas, em que o que é da ordem da visão é da ordem da escuta”.