O Norteshopping está a expandir-se, o tráfego vai aumentar, há que repensar a rede viária

Até 2020, o maior centro comercial do Norte, localizado numa das zonas de maior tráfego entre Porto e Matosinhos, terá mais 21 mil metros quadrados de área construída. Para aliviar os congestionamentos de trânsito estão a ser criados e pensados novos acessos.

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Há décadas que a rotunda AEP, na fronteira entre o Porto e Matosinhos, funciona também como uma espécie de entroncamento para vários destinos. Epicentro de concentração de engarrafamentos de tráfego automóvel, várias vezes as duas autarquias vizinhas estudaram alternativas para que fosse possível aliviar o trânsito automóvel. Com saídas de acesso a diferentes auto-estradas com destino a vários pontos do país, em plena Circunvalação, próxima da zona industrial do Porto, aquela zona mais uma vez volta a ser repensada.

Desta vez, há que acautelar mais um aumento do fluxo de tráfego. O motivo prende-se com a mesma causa para que no final da década de 1990 àquela área se deslocasse mais gente. Em 1998 abria ali o Norteshopping, já em Matosinhos, na Senhora da Hora, encostado ao primeiro hipermercado Continente construído no país. Agora, o mesmo centro comercial está a passar por um processo de expansão. A obra, que estará concluída no segundo semestre de 2020, está em curso, e para que o aumento previsto de clientes não congestione a rede viária da envolvente – um problema já antigo -, estão já em curso algumas soluções e na gaveta outros projectos.

Em 2012, a Sonae Sierra tornou público que iria pôr o projecto em marcha. Em 2017, a obra arrancou. Aos 71.738 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) do centro juntar-se-ão mais 13 mil metros quadrados de ABL - 21 mil metros quadrados de área construída. Nascem também mais mil lugares de estacionamento, que se somam aos 4400 já existentes. O investimento total é de 77 milhões de euros, parte dos 228 milhões que a empresa vai investir em solo nacional. Os restantes 151 milhões estão destinados para um terceiro edifício de escritórios e para expandir o Centro Comercial Colombo, em Lisboa. 

Aumenta a área do maior centro comercial do Norte, espera-se também que aumente o número de visitantes. Após visita à obra em curso, o arquitecto responsável pela mesma, Jorge Morgadinho, disse ao PÚBLICO, que, nessa matéria, não tem dúvidas que é essa a expectativa que se pretende ver cumprida e único motivo para avançar com a empreitada. Para isso, além de novas lojas e áreas de restauração, terraços ao ar livre e da expansão de marcas já estabelecidas no shopping, o projecto prevê que a rede viária acompanhe as novas necessidades e resolva algumas questões que ainda estão pendentes.

Nesta primeira fase, a prioridade foi requalificar a zona envolvente. Já beneficiadas foram a Rua Nova da Madorninha, Henrique Pousão, João Mendonça e Sara Afonso. Ao mesmo tempo foi construída uma ciclovia com 1500 metros. Em execução está a ligação em túnel de uma saída da Avenida Calouste Gulbenkian para a A28, que irá desembocar na saída que já existe desde o parque de estacionamento do Continente. O conjunto destas obras, orçadas em 3,2 milhões de euros, de acordo com o arquitecto, fica a cargo da Sonae Sierra.

Não cometer erros do passado

O vereador da Mobilidade da câmara de Matosinhos, José Pedro Rodrigues, contactado pelo PÚBLICO, diz que para estas obras, “ao contrário do que aconteceu” quando o shopping foi construído, houve a preocupação de antecipar o aumento de fluxo de tráfego. Além das obras já executadas, adianta estarem já no papel outras que se seguirão.

Do conjunto destas novas vias fazem parte a nova ligação da A28 à zona desportiva do Estádio do Mar com ligação superior à Barranha. Apesar de já existir parecer favorável por parte do IMT quanto à saída da A28 para a zona desportiva, não há parecer favorável para a saída da zona desportiva para a A28. Para ser aberto concurso público para a execução da obra falta sair a conclusão da auditoria pedida pela autarquia à Prevenção Rodoviária Portuguesa. 

A aguardar parecer do IMT e da Infra-estruturas de Portugal está o projecto da ligação de saída da A28 para a Rua Eduardo Torres, por terrenos da Diocese do Porto. Já executada está a ligação da A28 à Urgência do Hospital Pedro Hispano.

Está ainda prevista a re-semaforização da rotunda AEP, com a implementação de um novo sistema de gestão de fluxos de tráfego mais eficiente, para responder às necessidades do trânsito da zona, e uma nova rotunda na Circunvalação com a Avenida Teixeira Ruela, por baixo do viaduto de acesso ao Norteshopping, que como vem sendo discutido há vários anos, poderá ser demolido. De acordo com o autarca, já existe acordo entre Matosinhos e Porto para ser concretizada a obra de criação do acesso da Circunvalação à Avenida Fontes Pereira de Melo, na Zona Industrial do Porto. O custo total previsto para este conjunto de obras pode chegar aos 4 milhões de euros. Ainda não há prazo previsto de conclusão.

Nem o autarca, nem o arquitecto sabem dizer qual o aumento de tráfego e de pessoas esperado para aquela zona de confluência entre Porto e Matosinhos. “Certo é que vai aumentar e por isso há que minimizar o impacto”, diz José Pedro Rodrigues.