Ayrton Senna: "o melhor de sempre na Fórmula 1" deixou-nos há 25 anos

O PÚBLICO relembra o histórico piloto brasileiro que morreu num acidente durante o Grande Prémio de São Marino, a 1 de Maio de 1994. Pedro Lamy, que correu com Senna na Fórmula 1, relembra as qualidades e descreve o que sentiu quando soube da morte do "mago". 

Ayrton Senna festeja vitória no Mónaco em 1993 STRINGER / REUTERS
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Ayrton Senna festeja vitória no Mónaco em 1993 STRINGER / REUTERS

“O Ayrton era um vencedor nato, um piloto que só queria vencer. Era um líder em pista, bastante aguerrido e determinado em todos os movimentos. Logicamente, só se consegue ser tudo isso quando se é muito rápido. Tinha um carro que muitas vezes estava à altura, outras vezes não estava, mas ele conseguia dar sempre a volta à situação”. Pedro Lamy, ex-piloto de Fórmula 1 falou com o PÚBLICO sobre o piloto brasileiro que, há exactamente 25 anos, perdeu tragicamente a vida num acidente no Grande Prémio de São Marino, em Ímola, Itália.

Todos se lembram onde estavam quando souberam da morte de Ayrton Senna, no dia 1 de Maio de 1994. Foi um fim-de-semana negro para o desporto: na sexta-feira, o compatriota Rubens Barrichello teve um acidente grave que o deixou inconsciente e, no sábado, um dia antes da morte de Senna, foi o austríaco Roland Ratzenberger a perder a vida após um acidente aparatoso. “Depois daquele fim-de-semana terrível, as coisas mudaram [a nível da segurança]. Foi muito confuso, muito doloroso para todos os pilotos”, atesta Pedro Lamy.

Apesar de o piloto português ter participado nessa corrida, Pedro Lamy já não estava em pista quando o brasileiro perdeu a vida. O piloto ao comando de um Lotus-Mugen Honda embateu contra o Benetton de J.J Lehto, que ficou imobilizado nos semáforos verdes. O português teve de regressar às boxes e foi daí que viu o acidente que vitimou o colega de profissão. “Achei que tivesse sido um acidente normal, nunca me passou pela cabeça que pudesse ter acontecido o que aconteceu. Foi uma situação totalmente inesperada”, relembra Pedro Lamy.   

As notícias da morte de Ayrton Senna enviaram ondas de choque por todo o Mundo. O brasileiro é muitas vezes apelidado como “o melhor de sempre da Fórmula 1”. Pelo menos é o que diz a generalidade dos pilotos, Michael Schumacher incluído. Pedro Lamy concorda com esta afirmação: "Sim, sem dúvida. Para mim foi o melhor de todos os tempos, mesmo não tendo ficado com todos os recordes em termos de resultados, porque partiu muito cedo. Todas as capacidades que tinha tornam-no no melhor piloto de sempre". 

Apesar de não ser o mais titulado da modalidade — Senna venceu o Mundial de pilotos por três vezes —, todos recordam a personalidade temerária do brasileiro, que levava o carro ao limite. “Sendo um piloto de corridas, estás constantemente exposto a riscos. Se deixares de tentar penetrar num espaço que se abra, já não és um piloto de corrida”, afirmou Ayrton Senna em entrevista com o piloto histórico britânico Jackie Stewart.

Esta tolerância ao risco era especialmente evidente nas fases de qualificação. Não é por acaso que Ayrton somou 65 pole positions, muitas vezes obliterando as esperanças dos rivais com vantagens que se aproximavam — ou ultrapassavam — da margem do segundo. O brasileiro continua a ser o terceiro piloto com mais partidas na frente da grelha, apenas ultrapassado por Michael Schumacher, que soma 68 pole positions e Lewis Hamilton, primeiro na lista com 84.

A primeira de 41 vitórias da carreira do piloto brasileiro foi em Portugal, no Estoril. Pedro Lamy relembra a grande popularidade que Ayrton Senna tinha no nosso país, chegando mesmo a afirmar que, "depois do Brasil", éramos o território que albergava mais admiradores do piloto. 

Um quarto de século após a sua morte, o desporto mudou profundamente. O trágico acidente em Ímola serviu para revolucionar as medidas de segurança dos carros e dos pilotos. Pedro Lamy acredita que, se acontecesse hoje, seria pouco provável que o acidente tivesse contornos tão trágicos: "Hoje em dia, se o Senna tivesse tido o mesmo acidente as coisas, em princípio, seriam diferentes. O capacete está mais protegido e, em circunstâncias normais, ele estaria bem e não teria havido problemas. Não quer dizer que a Fórmula 1 deixou de ser um desporto perigoso, mas as condições de segurança melhoraram muito."

Para a eternidade ficam as grandes corridas do piloto brasileiro que, apesar do passar dos anos, continua bem vivo na memória dos amantes do desporto motorizado. 

Piloto brasileiro era conhecido por dar atenção aos mais pequenos detalhes
Piloto brasileiro era conhecido por dar atenção aos mais pequenos detalhes Luciano Mellace / REUTERS
Ayrton Senna seguido de perto por Michael Schumacher e Hakkinen
Ayrton Senna seguido de perto por Michael Schumacher e Hakkinen Toshiyuki Aizawa / REUTERS
Com o rival Alain Prost, no ano em que o francês deixou a Fórmula 1
Com o rival Alain Prost, no ano em que o francês deixou a Fórmula 1 Stringer / REUTERS
Ayrton Senna era um dos pilotos mais rápidos com condições atmosféricas adversas
Ayrton Senna era um dos pilotos mais rápidos com condições atmosféricas adversas Russel Boyce / REUTERS
Ayrton Senna registou 65 pole positions e venceu 41 corridas ao longo da carreira na Fórmula 1
Ayrton Senna registou 65 pole positions e venceu 41 corridas ao longo da carreira na Fórmula 1 Reuters Staff / REUTERS
Piloto venceu Mundial de pilotos por três vezes