Enfermeiros vão esperar inspectores da sindicância com um cordão humano na Ordem

De acordo com Catarina Barbosa, do movimento que esteve na origem da “greve cirúrgica” dos enfermeiros, a concentração está marcada para as 10h de segunda-feira, quando são esperados os inspectores da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.

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Ana Rita Cavaco, bastonária dos Enfermeiros MIGUEL A. LOPES/LUSA

O movimento responsável pela “greve cirúrgica” dos enfermeiros está a mobilizar os profissionais para uma concentração e cordão humano frente à Ordem dos Enfermeiros (OE) na segunda-feira, para receber os inspectores que vão fazer a sindicância.

De acordo com Catarina Barbosa, do movimento na origem da “greve cirúrgica” dos enfermeiros, a concentração está marcada para as 10h, quando são esperados os inspectores da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS).

Catarina Barbosa não consegue estimar a adesão de enfermeiros à iniciativa, mas espera que sejam os suficientes para conseguir formar um cordão humano à volta da OE.

“Queremos mostrar que não temos nada a esconder, mas que, de facto, é uma intromissão muito grande na nossa casa e que só está a acontecer na OE, mas é um atentado a todas as ordens profissionais. Sentimo-nos na obrigação de estarmos ao lado da OE, porque até agora estiveram sempre do lado dos enfermeiros e queremos demonstrar exactamente isso, que estamos ao lado da OE, que sabemos que não há nada a esconder e que não vai sair nada desta sindicância, porque as coisas estão em ordem”, disse Catarina Barbosa à Lusa.

A ministra da Saúde, Marta Temido, justificou na terça-feira a decisão de determinar uma sindicância à Ordem dos Enfermeiros com “intervenções públicas e declarações dos dirigentes”.

Num comunicado divulgado antes pelo gabinete de Marta Temido, é referido que a ministra determinou à IGAS a realização da sindicância “com o objectivo de indagar indícios de eventuais ilegalidades resultantes das intervenções públicas e declarações dos dirigentes” e “das actividades realizadas pela Ordem e correspectivas prioridades de actuação, e eventuais omissões de actuação delas decorrentes, em detrimento da efectiva prossecução dos fins e atribuições que lhe estão cometidos por lei”.

Enfermeiros apelam a Marcelo

Nesta sexta-feira, a OE escreveu ao Presidente da República para defender que “não há qualquer fundamento para justificar um pedido de sindicância à OE”, pedindo a “superior intervenção política” de Marcelo Rebelo de Sousa.

O Conselho Nacional das Ordens Profissionais vai analisar na terça-feira a sindicância à OE, um assunto que está a acompanhar com “alguma preocupação”, avançou à Lusa o presidente do organismo.

“Acompanhamos este assunto com alguma preocupação e é importante saber o que é que se passa neste caso concreto”, afirmou o presidente do Conselho Nacional das Ordens Profissionais (CNOP), Orlando Monteiro da Silva.

O presidente do CNOP defendeu que “as ordens não podem nem devem andar à deriva, politizadas, nem as tutelas devem ter um tipo de atitude semelhante de politização da sua missão de regular e acompanhar as ordens profissionais”.

A sindicância é uma investigação administrativa que pretende apurar a eventual existência de anomalias no funcionamento de um serviço ou instituição pública, podendo daí resultar elementos de natureza disciplinar.