Crónica de jogo

FC Porto acreditou até ao primeiro remate do Liverpool

Durante 26 minutos, os “dragões” foram superiores e desperdiçaram uma mão-cheia de oportunidades. Na primeira ocasião, Mané sentenciou a eliminatória.

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A missão, já se sabia, era muito difícil, mas durante 26 minutos a “reviravolta histórica” de que Sérgio Conceição tinha falado na véspera pareceu possível. Obrigado a anular a vantagem de dois golos conseguida pelo Liverpool em Anfield Road na semana passada, o FC Porto entrou de forma autoritária na 2.ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, mas após um arranque de grande qualidade dos “dragões” — 13 remates e uma mão-cheia de boas oportunidades —, o senegalês Sadio Mané marcou no primeiro remate dos “reds” à baliza de Casillas e frustrou as esperanças portistas. Com a eliminatória praticamente decidida, o jogo perdeu qualidade e na segunda parte o Liverpool construiu nova goleada no Dragão (1-4).

Na época passada, quando o Liverpool jogou na cidade do Porto na 1.ª mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, Sérgio Conceição tinha baixas importantes (Felipe, Danilo e Aboubakar) e, talvez por isso, tenha recorrido ao seu “plano B”: 4x3x3, com Otávio nas costas do jogador mais adiantado (Soares) e as alas entregues a Marega e Brahimi. A estratégia passava por entregar a bola ao Liverpool e, como um caçador furtivo, ficar à espera da presa para atacar. Perante o recuo portista, o Liverpool mostrou-se inicialmente cauteloso e, aparentemente, surpreendido, mas após um período inicial de adaptação, a equipa de Jürgen Klopp assumiu o controlo e, no espaço de quatro minutos (golos de Mané, aos 25’, e Salah, aos 29’), deixou o FC Porto KO na eliminatória.

No segundo frente a frente entre “azuis e brancos” e “reds” no Porto em pouco mais de um ano, Conceição repetiu o esquema táctico, mas desta vez o 4x3x3 tinha Danilo a garantir mais segurança ao meio-campo e, para atacar a baliza de Alisson, havia Corona e Brahimi nas alas, Otávio no apoio a Marega. Se o sistema parecia decalcado do jogo anterior do Liverpool no Dragão, na atitude viu-se um FC Porto completamente diferente.

Sem tempo a perder para conseguir fazer o que ninguém consegue há ano e meio — desde Outubro de 2017 que ninguém vence a equipa de Klopp por mais de dois golos de diferença —, os “dragões” entraram no jogo com as rotações no máximo e encostaram os ingleses às cordas.

Com apenas 32 segundos, Corona fez o primeiro remate (ligeiramente por cima da baliza de Alisson) e, ao fim de um quarto de hora, Marega já tinha desperdiçado três boas oportunidades — tal como em Anfield Road, o avançado esteve em noite de muito pouca inspiração. Sem se deixar abalar pela falta de eficácia do maliano, o FC Porto não baixou o ritmo e Alisson pouco tempo tinha para respirar, mas após 13 remates do rival à baliza do internacional brasileiro, o Liverpool foi à área portista e marcou: Salah cruzou e Mané desviou para o fundo da baliza de Casillas, até aí um espectador. O lance começou por ser anulado por fora-de-jogo do senegalês, mas, por indicação do videoárbitro, o holandês Danny Makkelie validou o golo. A eficácia ofensiva pedida por Conceição na antevisão da partida era inglesa e, a partir daí, começou outro jogo.

A necessidade de marcar quatro golos para garantir um lugar entre as quatro melhores equipas da Europa e defrontar o Barcelona nas meias-finais frustrou as ambições dos portistas, a intensidade da partida caiu a pique, até ao intervalo Alisson praticamente não teve trabalho e Milner podia ter feito o segundo do Liverpool: o capitão dos “reds” desviou o cruzamento de Alexander-Arnold, a bola bateu em Felipe e passou perto do poste da baliza de Casillas.

Os últimos 45 minutos começaram com os melhores jogadores de área das duas equipas em campo (Soares substituiu Otávio; Firmino ocupou o lugar de Origi) e o brasileiro do FC Porto até foi o primeiro a dar nas vistas: aos 54’, Soares, após cruzamento de Herrera, cabeceou ao lado. Por essa altura, o Liverpool já surgia com maior assiduidade na área portuguesa e parte da história da época passada começou a repetir-se. Depois de Mané inaugurar o marcador, Salah, aos 65’, fez o segundo golo.

Quase na resposta, a fiabilidade de Alex Telles nas bolas paradas foi aproveitada por Militão, que com um excelente remate de cabeça bateu o colega de selecção Alisson, mas o golo de honra portista na eliminatória de pouco serviu. Com as duas equipas em clara gestão de esforço a pensar nos importantes jogos que vão ter no fim-de-semana, a qualidade dos avançados do Liverpool fez a diferença e, com alguma crueldade, os ingleses voltaram a construir uma goleada no Dragão. Aos 77’, Firminou cabeceou sem oposição para o 1-3 e, sete minutos mais tarde, Virgil van Dijk aproveitou a passividade defensiva dos portistas para, também de cabeça, marcar o seu quinto golo da época, o segundo na Champions. O adversário do Barcelona nas meias-finais já estava, no entanto, encontrado desde o minuto 26.