Crónica de jogo

Liverpool ameaçou a goleada, mas o FC Porto resistiu

Tal como há um ano, o duelo entre “reds” e “azuis-e-brancos” parecia sentenciado ao fim de meia hora, mas não houve mais golos e os portistas mantêm a esperança.

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Um lance do jogo entre o Liverpool e o FC Porto Reuters/PHIL NOBLE
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Desalento dos jogadores do FC Porto LUSA/PETER POWELL
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Casillas vê a bola entrar na sua baliza Reuters/CARL RECINE
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Momento do jogo entre o Liverpool e o FC Porto Reuters/PHIL NOBLE
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A festa dos jogadores do Liverpool após um dos golos frente ao FC Porto Reuters/CARL RECINE

A 14 de Fevereiro do ano passado, o palco foi o Estádio do Dragão, mas um erro na escolha do plano de jogo inicial e deslizes pouco habituais no FC Porto de Sérgio Conceição resultaram na pior derrota caseira da história dos portistas (0-5). A segunda mão em Liverpool foi, por isso, apenas para cumprir calendário. Nesta terça-feira, em Anfield, o reencontro entre “reds” e “azuis-e-brancos”, agora nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, parecia também sentenciado ao primeiro assalto. Com uma simplicidade desconcertante para qualquer adversário, o Liverpool marcou por duas vezes nos primeiros 26 minutos. Só que, desta vez, o FC Porto resistiu. Com a vitória da equipa de Jurgen Klopp, por 2-0, a vantagem é do Liverpool, mas na próxima semana os portistas vão entrar em campo com esperanças.

Na época passada, defrontar um candidato à vitória da mais prestigiada prova de clubes da UEFA sem Felipe, Danilo e Aboubakar foi um problema complexo para Sérgio Conceição, mas o técnico tornou ainda mais complicado o cenário para a sua equipa ao sentar Casillas no banco, entregando a José Sá a baliza portista. Os equívocos de Conceição não se ficaram, no entanto, por aí. Abdicando da identidade habitual dos portistas, o treinador montou a equipa em 4x3x3, com Marega no flanco esquerdo e Otávio nas costas de Soares, e entregou a bola ao Liverpool. A fórmula não resultou e com golos de Mané e Salah na primeira meia hora, Klopp colocou a eliminatória no bolso.

Nesta terça-feira, Conceição voltou a defrontar os “reds” sem alguns dos seus pilares (Pepe e Herrera estavam castigados), mas a inclusão de Alex Telles no “onze” — o esquerdino denotou sempre muitas dificuldades físicas — simplificou muito a vida do seu treinador, que sem o brasileiro teria que lançar em Anfield o jovem Diogo Leite, colocando Militão numa lateral. A defesa ficava composta — e foi muitas vezes reforçada com o recuo de Corona —, faltava, todavia, arrumar os outros dois terços da equipa. E sem o capitão Herrera, Conceição repetiu a estratégia de há um ano: meio-campo a três, com Otávio mais adiantado; ataque com Marega, Soares e Corona. A fórmula, em que não cabia Brahimi, tinha, porém, um elemento novo em relação ao jogo do Dragão da época passada. De forma corajosa, o FC Porto entrou no jogo com personalidade e ao ataque.

Ainda antes de se cumprirem os primeiros 120 segundos, o FC Porto chegou à área do Liverpool com perigo, mas o remate de Marega passou ligeiramente ao lado da baliza de Alisson. Desta vez, Conceição parecia querer ver a bola circular nos pés dos seus jogadores, mas na primeira vez que atacou, o Liverpool foi feliz: Firmino assistiu Keita à entrada da área e o remate do guineense, após desviar em Óliver, entrou na baliza de Casillas.

O golpe deixou marcas no FC Porto. Com o golo sofrido, os portistas perderam a audácia inicial, recuaram no terreno e o Liverpool assumiu protagonismo, com Salah em destaque: mesmo longe do fulgor da época passada, o egípcio era um perigo permanente e esteve muito perto de marcar aos 18’ e 22’.

Com o FC Porto em dificuldades, os “reds” continuaram a pressionar e, com uma jogada simples, voltaram a marcar: Alexander-Arnold na direita cruzou de primeira para a área e Firmino, sem qualquer marcação, limitou-se a empurrar para o fundo da baliza. Tal como no ano passado, o FC Porto sofria dois golos na primeira meia hora contra o Liverpool, mas, desta vez, o resto do filme não resultou em descalabro para os “dragões”.

Embora com mais bola — os ingleses terminaram o jogo com 58% de posse de bola —, o Liverpool baixou o ritmo e o FC Porto conseguiu recompor-se. Marega teve por duas vezes no pé a oportunidade de marcar, mas nunca conseguiu ultrapassar Alisson. O jogo deixava de ser apenas no sentido da baliza de Casillas.

A segunda parte começou, no entanto, com um susto para os portistas: Mané, que há um ano fez um hat-trick no Dragão, festejou o 3-0, mas o golo não foi validado por fora-de-jogo do senegalês. Mas foi apenas um fogacho dos ingleses. A partir daí, com o Liverpool com a cabeça no confronto com o Chelsea no próximo fim-de-semana, o FC Porto acreditou que podia evitar ficar pela primeira vez sem marcar na Liga dos Campeões 2018-19 e, tal como aconteceu nos “oitavos” em Roma, marcar um golo que simplificasse a recuperação no Dragão, mas a noite não era de Marega, que desperdiçou um par de boas oportunidades para marcar.

Com dois golos de vantagem, o Liverpool está a um passo das meias-finais, mas desta vez o segundo round entre “reds” e “azuis-e-brancos” não será apenas para cumprir calendário.