Reitores querem mais doutorados nas empresas

A 3.ª sessão da Convenção do Ensino Superior 2020-2030 decorre esta terça-feira na Reitoria da Universidade do Porto. A sessão de abertura conta com o primeiro-ministro, António Costa.

Reitores querem que os produtores de conhecimento científico participem cada vez mais no tecido empresarial
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Reitores querem que os produtores de conhecimento científico participem cada vez mais no tecido empresarial Fabio Augusto

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) quer ver mais doutorados a trabalhar nas empresas e em organizações sociais e prepara-se para pedir ao Governo que encontre incentivos para que essa possibilidade se concretize. Mas não só. Os reitores querem ouvir também o que o tecido empresarial tem a dizer sobre este tema e vai aproveitar a 3.ª sessão da “Convenção do Ensino Superior 2020-2030”, que esta terça-feira decorre no Porto, para procurar encontrar caminhos. O primeiro-ministro, António Costa, vai participar na sessão de abertura, na Reitoria da Universidade do Porto (UP).

 “Portugal deu um salto muito grande, tanto na produção científica, como no número de doutorados, mas a sua inserção na vida activa não deverá passar apenas pelo Estado, pelas universidades e centros de investigação. É preciso mais interacção, mais colaboração, para ultrapassar a situação actual, com dados que indicam que, no nosso país, menos de 5% dos doutorados trabalham em empresas quando, na generalidade dos países europeus, rondam os 35%”, diz ao PÚBLICO António Fontaínhas Fernandes, presidente do CRUP e reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), responsável, com a UP e a Universidade do Minho, pela organização da convenção.

Apesar de indicar que os reitores “não partem com ideias pré-concebidas” para o encontro desta terça-feira, e que o objectivo “é ouvir a sociedade, principalmente os empresários”, Fontaínhas Fernandes reconhece que o CRUP já tem algumas ideias para estimular essa presença de doutorados nas empresas. “Há ideias, claro, como incentivos, quer de natureza fiscal que noutro formato, e também o recurso à utilização de fundos europeus. Deve haver também uma forte componente prática [dos doutorandos] em contexto empresarial e deve existir a possibilidade de os investigadores seniores poderem fazer o seu período sabático não apenas em centros de investigação europeus, mas no contexto empresarial nacional”, argumenta.

A sessão que vai levar muitos empresários à Reitoria da UP – bem como o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que encerrará os trabalhos – irá focar-se na forma como o sistema científico e o tecido empresarial devem interagir mais, potenciando assim a criação de riqueza. “Queremos colocar a ciência ao serviço do país, no sentido de aumentar o seu desenvolvimento económico”, defende o presidente do CRUP, realçando que “os países mais desenvolvidos apostaram numa interacção entre o tecido empresarial, os decisores políticos e o sistema científico”, e que esse deverá ser também o caminho a seguir por Portugal.

Por parte dos empresários, diz, as sessões desta convenção têm mostrado que “o interesse é crescente”. “Temos de ver que mudanças serão necessárias operar também do nosso lado”, refere. Para já, garante, as sessões têm sido marcadas por “ideias muito interessantes, que importa reunir e enviar não apenas ao Governo, mas a todos os partidos com representação parlamentar, para reforçar a importância da aposta no ensino superior e na ciência”.

A convenção surge no momento em que está a ser preparado o próximo quadro comunitário de apoio à investigação, o Horizonte Europa (2021-2017). Desde o início do quadro actual (Horizonte 2020), em 2014, Portugal captou mais de 700 milhões de euros para a investigação. No próximo quadro, Portugal estabeleceu a meta de chegar aos dois mil milhões de euros de financiamento europeu para a investigação e ciência.