Regime de Maduro impede Juan Guaidó de exercer cargos públicos durante 15 anos

O chefe do órgão equivalente ao tribunal de contas diz que Guaidó "ocultou ou falseou" a sua declaração de património e recebeu dinheiro indevidamente. Este diz que não reconhece o poder de quem tomou a decisão.

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Juan Guaidó IVAN ALVARADO/Reuters

O controlador-geral da Venezuela, Elvis Amoroso, anunciou nesta quinta-feira que Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como Presidente interino, está proibido de exercer cargos públicos por 15 anos.

O controlador-geral é o chefe do Contraloría General de la República, órgão que fiscaliza o património público do país, equivalente a um tribunal de contas.

Citado pela agência EFE, Amoroso disse que Guaidó “ocultou ou falseou” dados da sua declaração de património, e que “recebeu dinheiro de organizações internacionais e nacionais que não justificou”.

Amoroso foi escolhido pela Assembleia Nacional quando esta era dominada pelo regime socialista bolivariano do partido no poder, o Partido Socialista Unido da Venezuela. Em 2015, as eleições legislativas deram a maioria à oposição e, na sequência, a Assembleia Nacional foi declarada em incumprimento pela justiça e os seus poderes foram anulados. Juan Guaidó era o presidente deste parlamento, que o reconheceu como Presidente interino.

Foi criada uma Assembleia Constituinte, dominada pelo regime, havendo por isso na Venezuela dois órgãos legislativos que não reconhecem a autoridade uma da outra — tal como existem dois chefes de Estado, reconhecidos por cada um deles.

Guaidó e a oposição estão desde Janeiro em luta pelo afastamento de Maduro e pela convocação de novas eleições na Venezuela. 

Neste contexto, Guaidó reagiu: “Não é o controlador. Não é e não existe nenhuma inabilitação. O parlamento legítimo é o único que pode designar um controlador-geral”. Acrescentou que o “perigo” não é este anúncio. “O que é perigoso é que continuam a atacar a presidência designada”.