Tancos: Ex-diretor da PJ alinha na tese do amadorismo dos ladrões

Almeida Rodrigues diz que, ao longo da sua carreira, investigou "crimes de roubo ou furto um bocadinho melhor planeados".

Almeida Rodrigues foi director nacional da PJ entre 2008 e 2018
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Almeida Rodrigues foi director nacional da PJ entre 2008 e 2018 LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O ex-director da Polícia Judiciária (PJ) José Almeida Rodrigues alinhou esta quinta-feira na tese do amadorismo de quem roubou o material militar dos paióis de Tancos, em 2017, e afirmou que lhes faltou planeamento.

“Alguém que deixa transparecer que vai praticar um furto ao ponto de chegar ao conhecimento das autoridades e, depois, a forma como o furto terá sido praticado, o local escolhido para a guarda das armas, tudo isso, faz crer que não terá havido um planeamento muito eficaz”, afirmou Almeida Rodrigues, na comissão parlamentar de inquérito ao furto de Tancos.

Almeida Rodrigues fez uma ironia ao dizer que, ao longo da sua carreira, investigou “crimes de roubo ou furto um bocadinho melhor planeados”.

Na audição de hoje, o ex-director nacional da PJ (2008-2018) relativizou a tese de o furto poder estar ligado ao terrorismo internacional e admitiu que “o tempo veio dar razão ao SIS [Serviço de Informações de Segurança]” quando, em Junho de 2017, decidiu manter como moderado o nível de ameaça no país.

Foi também nesta parte da reunião, em que sempre esteve de semblante carregado, que fez mais uma ironia, em resposta ao deputado bloquista João Vasconcelos: “Só faltaram os terroristas, o material militar havia... Desculpem.”

Questionado sobre a importância do roubo, Almeida Rodrigues qualificou-o de “extraordinariamente grave” e acrescentou que causou danos à entidade que foi alvo do furto, neste caso ao Exército.