Com receio de perder o emprego, portugueses escolhem não conciliar vida familiar com profissional

Muitos trabalhadores não conhecem os direitos laborais que têm ao seu dispor, mas os que conhecem sofrem de pressões para não usufruir deles.

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Autores do estudo defendem um plano nacional para contrariar a tendência Paulo Pimenta

A falta de conhecimento da lei, o receio de perder o emprego ou de repercussões estão entre as causas que inibem os trabalhadores de usarem medidas de conciliação entre a vida profissional e familiar, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira.

As conclusões integram um estudo, a que a agência Lusa teve acesso, desenvolvido pela Nova School of Business and Economics e produzido para a CIP — Confederação Empresarial de Portugal, que será apresentado esta segunda-feira na conferência Desafios à Conciliação Família-Trabalho, em Carcavelos, em parceria com a Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE).

O estudo, baseado em entrevistas a empresas e análises académicas, indica que, apesar de a legislação portuguesa prever incentivos à conciliação entre a vida profissional e familiar, “não é totalmente certo que os colaboradores as utilizem com frequência” já que há um conjunto de situações “que funcionam como inibidores e barreiras à utilização” das medidas.

Entre eles estão a “falta de conhecimento sobre a legislação em vigor e os direitos já salvaguardados e à sua disposição” bem como a “falta de conhecimento das medidas oferecidas” pelas empresas.

Também “atitudes e emoções negativas de resistência” à utilização das normas previstas na lei ou pela empresa “por insegurança pessoal, receio de repercussões (informais) de chefias e colegas, receio de perda de oportunidade de progressão na carreira ou de perda do próprio emprego” estão entre os principais factores inibidores apontados.

O documento refere que as empresas podem estar, “sem conhecimento e intenção, a impedir a adopção generalizada destas medidas” devido à “falta de comunicação interna e divulgação dos benefícios” ou à “falta de exemplos das chefias na utilização de certas políticas” e ainda devido à “falta de apoio e de incentivo”.

As entrevistas realizadas a várias empresas no âmbito do estudo mostram que as organizações disponibilizam medidas de conciliação entre a vida familiar e profissional, embora “aparentemente de forma informal” no caso daquelas de menor dimensão.

Esta situação pode ser explicada por vários motivos, entre os quais “por se tratarem de pequenas e médias empresas, onde a cultura empresarial é informal e de grande proximidade entre chefias e colaboradores” ou porque “as empresas foram pressionadas a implementar tais medidas devido à, aparente, natureza “conflituosa” da sua actividade, por exemplo, em fábricas ou call centers”, lê-se no estudo.

Para ultrapassar o problema, os autores sugerem colocar o tema na agenda da Concertação Social “e promover um diálogo menos extremado” com vista a serem definidos “incentivos às empresas e instituições que promovam a conciliação entre a vida profissional e familiar, designadamente pelo recurso à flexibilidade no horário de trabalho ou ao trabalho a tempo parcial”.

Os autores defendem ainda que o Governo deve definir uma estratégia nacional para a promoção da conciliação entre família e trabalho em Portugal, sublinhando que a discussão sobre o tema “pode ser reforçada no discurso do Estado”.

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