"Não há sobreviventes.” 157 pessoas de 35 nacionalidades morreram em queda de avião

O Boeing 737 tinha partido de Addis-Abeba, capital da Etiópia, e seguia para Nairóbi, no Quénia. Ainda não se conhecem as causas do acidente.

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Fotografia do local onde o avião se despenhou na manhã deste Domingo REUTERS
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Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi. Algumas pessoas consultam as informações do voo ET 302 que se despenhou na manhã deste domingo. REUTERS
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Várias pessoas aguardam por notícias de familiares e amigos que estavam a bordo do avião que se despenhou REUTERS
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Destroços do acidente,Destroços do acidente REUTERS,REUTERS
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Fotografia do local do acidente Ethiopian Airlines
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Trabalhadores do aeroporto colocam informações sobre o voo ET302,Trabalhadores do aeroporto colocam informações sobre o voo ET302 REUTERS,REUTERS
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Uma meio de combate de fogos a caminho do local onde o avião se despenhou REUTERS
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Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi. Painel com informações do voo ET 302 que se despenhou na manhã deste domingo.,Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi. Painel com informações do voo ET 302 que se despenhou na manhã deste domingo. REUTERS,REUTERS
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Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi. Algumas pessoas consultam as informações do voo ET 302 que se despenhou na manhã deste domingo. REUTERS
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Um voo da Ethiopian Airlines com 157 pessoas a bordo, 149 passageiros e oito tripulantes, despenhou-se este domingo a caminho de Nairóbi, a capital do Quénia. O Boeing 737 tinha partido de Addis-Abeba​, capital da Etiópia. Ainda não são conhecidas as causas do acidente.

A informação foi confirmada pela empresa, que disse que o aparelho caiu às 8h44 hora local (5h44 em Portugal), seis minutos depois de ter descolado. 

O avião era do mesmo modelo do que caiu na Indonésia em Outubro de 2018.

Um porta-voz da Ethiopian Airlines anunciou que a bordo viajavam pessoas de 35 nacionalidades (não havia portugueses a bordo). “Não há sobreviventes”, confirmou o director de comunicações da companhia, Asrat Begashaw, à emissora estatal da Etiópia, EBC.

A bordo estavam cidadãos do Quénia (35), Canadá (18), Etiópia (9), China (8), Itália (8), Estados Unidos da América (8), Reino Unido (7), França (7), Egipto (6), Alemanha (5), Índia (4), Eslováquia (4), Áustria (3), Rússia (3), Suécia (3), Espanha (2), Marrocos (2), Israel (2). A Bélgica, Polónia, Uganda, Jibuti, Indonésia, Irlanda, Togo, Ruanda, Arábia Saudita, Uganda, Somália, Sérvia, Iémen, Sudão, Moçambique, Noruega, Nepal e Nigéria registaram uma vítima cada. Um cidadão viajava ainda com o passaporte das Nações Unidas.

Segundo o Flightradar24, um site suíço de rastreamento de voos, o voo ET 302 da Ethiopian Airlines "tinha velocidade vertical instável” aquando da descolagem.

Através da sua página de Facebook, a companhia anunciou que o seu presidente, Tewolde Gebremariam, se deslocou de imediato para o aeroporto. Ali, afirmou que é cedo para especular sobre as causas do acidente e confirmou que vai ser aberta uma investigação. “Mais informações serão fornecidas assim que a causa for identificada. A Ethiopian Airlines fornecerá todo o apoio necessário às famílias das vítimas”, disse.

Foi divulgado que aos comandos ao aparelho ia um comandante experiente, Iared Getachew, que tinha mais de oito mil horas de voo. O seu co-piloto era Ahmed Nur Mohammod Nur, com 200 horas de voo.

O avião Boeing 737 800 MAX tinha voado de Joanesburgo, na África do Sul, para Addis-Abeba, antes de iniciar nova viagem. A Ethiopian Airlines garantiu que foi feita a devida manutenção.

"Só esperamos que a nossa mãe esteja num voo diferente"

Segundo a Reuters, os familiares dos passageiros que os esperavam no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta em Nairóbi, não receberam nenhuma informação sobre o que estava a acontecer por parte das autoridades do aeroporto.

Robert Mutanda, esperava pelo seu cunhado que vinha do Canadá. “Não vimos ninguém da companhia aérea ou do aeroporto. Ninguém nos disse nada, estamos apenas aqui a desejar o melhor”. Robert Mutanda falava com a agência de notícias por volta das 13h (hora local), mais de três horas depois o acidente.

Wendy Otieno estava à espera da mãe. "Só esperamos que ela esteja num voo diferente ou que se tenha atrasado. Ela não está a atender o telemóvel”. Já outro cidadão que também se encontrava no aeroporto diz ter ficado com a ideia que o voo ET 302 tinha aterrado em segurança. “Quando olhámos para o quadro das chegadas vimos que o avião tinha aterrado a horas então ficámos à espera. Vimos pessoas a sair e tínhamos a certeza que a seguir vinha o nosso familiar. Só depois de alguns minutos é que vimos algumas notícias no Facebook”, disse à Reuters.

À BBC, uma testemunha que se encontrava no local na altura de queda disse que a explosão e o fogo eram demasiado fortes para alguém conseguir chegar perto do acidente. “Está tudo queimado. Os bombeiros chegaram por volta de 11h e o acidente aconteceu por volta de 8h. Há quatro helicópteros no local neste momento. Ninguém vai sobreviver”, afirmou.

Segundo avança o Global Times, um jornal diário da China, existiam oito cidadãos chineses a bordo do avião. 

No Twitter, o primeiro-ministro da Etiópia foi o primeiro a confirmar a queda do avião. “O Gabinete do primeiro-ministro, em nome do governo e do povo da Etiópia, gostaria de expressar as mais profundas condolências às famílias dos que perderam os seus entes queridos esta manhã”, disse Abiy Ahmed. 

Em comunicado, a companhia aérea confirmou que o avião perdeu contacto com a torre de controlo às 8h44 (hora local). “Neste momento, as operações de busca e salvamento estão em andamento e não temos informações confirmadas sobre sobreviventes ou possíveis vítimas. Os trabalhadores da Ethiopian Airlines serão enviado para o local do acidente e farão todos o possíveis para ajudar os serviços de emergência”, garantiu a Ethiopian Airlines. 

Em sinal de luto, também no Twitter e no Facebook, a companhia alterou para preto as cores do logótipo da empresa que antes eram verde, amarelo e vermelho. 

O mesmo modelo do desastre na Indonésia

O avião é do mesmo modelo do Boeing que caiu com 189 pessoas a bordo no Mar de Java em Outubro. O voo JT610, um Boeing 737 Max 8 da Lion Air, despenhou-se 12 minutos depois de ter levantado voo.

A Boeing afirmou no início da manhã deste domingo que estava a monitorizar a situação. “Uma equipa da Boeing está preparada para fornecer assistência técnica a pedido e sob a direcção Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos EUA”, referiu a empresa em comunicado.

O voo ET 302, uma rota habitual entre os dois países​ vizinhos, despenhou-se perto da cidade de Bishoftu, 62 quilómetros a sudeste da capital do país. 

A companhia aérea pertence ao Estado e é uma das maiores transportadoras do continente africano em termos de números da frota. Em 2018, a Ethiopian Airlines afirmou que esperava transportar 10,6 milhões de passageiros nesse ano.

O maior acidente da companhia aconteceu em Janeiro de 2010, quando um voo com origem em Beirute caiu logo depois da descolagem com 90 passageiros. A queda aconteceu numa altura em que o primeiro-ministro do país, Abiy Ahmed, tinha prometido que ia abrir o sector aéreo a investimentos estrangeiros.

A Ethiopian Airlines é membro da Star Alliance (a mesma que integra a transportadora portuguesa TAP) desde Dezembro de 2011. Foi fundada em 21 de Dezembro de 1945 e a sua rede abrange Europa, América do Norte, América do Sul, África, Médio Oriente e Ásia.