Mariana Vieira da Silva: da sombra para o ministério da Presidência

Há quem diga que Mariana é o "xanax de António Costa" ou o "radar" do primeiro-ministro.

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Nuno Ferreira Santos/ Arquivo

Mariana Vieira de Silva é a pessoa do Governo mais próxima de António Costa. Na actual remodelação não se pode dizer que ganha um lugar no Conselho de Ministros, porque já o tinha garantido como secretária de Estado Adjunta do primeiro-ministro, mas muda de cadeira.

A nova ministra da Presidência, que mantém o pelouro da Modernização Administrativa, tem 40 anos, foi nadadora de alta competição no Sporting, estudou Sociologia no ISCTE, participou no Movimento Imaginar Portugal (na órbita da JS), começou a trabalhar na União das Mutualidades Portuguesas (o seu lugar de origem), foi adjunta de Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação e de José Almeida Ribeiro, no segundo governo de José Sócrates, e entrou na lista às autárquicas de Lisboa, em 2013, em 15º lugar.

Fernando Medina, responsável por levar Mariana Vieira da Silva para a lista de Lisboa, garantia, há menos de um ano, que a então secretária de Estado “se realiza na concretização das políticas e não na vaidade das luzes”. Em Abril de 2018, ao Observador, dizia ainda: “A vocação dela é das políticas públicas e não dos holofotes”.

Foi justamente longe das luzes que passou os últimos três anos no Governo. Responsável pela coordenação dos ministérios, pela disseminação da mensagem política no interior do executivo e pelo controlo da informação, tem feito trabalho discreto, na sombra. Também lhe cabe fazer de radar do chefe do executivo e assegurar a ligação entre o primeiro-ministro e os restantes membros do Governo. Ou melhor, cabia - Duarte Cordeiro sucedeu-lhe nessas funções.

Agora, António Costa fica sem o seu “xanax”, como já chamaram a Mariana Vieira da Silva. E a jovem ministra já não precisará, provavelmente, de levar o seu smartwatch para dentro de água quando for aos treinos de natação, duas ou três vezes por semana – o Observador contava recentemente, num texto de perfil da agora ministra, que Mariana Vieira da Silva comprara um destes relógios para “estar contactável em todo o lado e a qualquer momento”, mesmo dentro de água, em pleno treino, altura em que chegava a atender chamadas de António Costa.

Mariana é filha do ministro do Trabalho, Vieira da Silva, e da economista Margarida Guimarães e tem um irmão, Miguel, que é músico.