Gonçalo Gomes
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Gonçalo Gomes

Gonçalo convenceu mais de 500 pessoas a dizer “desta vez eu voto”

Decidido a lutar contra a abstenção, Gonçalo Gomes fez com que mais de 500 pessoas se comprometessem, através de uma plataforma digital, a votar nas próximas eleições europeias. Foi o melhor a nível europeu e continua com vontade de falar — e fazer com que os jovens falem — sobre a Europa.

É “um bocado cromo” no que diz respeito à União Europeia. Até o tempo livre ocupa a ler sobre ela. Gonçalo Gomes tem 20 anos e quer pôr a sua geração, não só a falar de política, mas, principalmente, a votar. Já conseguiu fazer com que mais de 500 pessoas se comprometessem a ir às urnas nas eleições europeias — que se realizam, em Portugal, a 26 de Maio — através da plataforma destavezeuvoto.eu, número que fez dele o campeão europeu do apelo ao voto. E tem planos para continuar a propaganda contra a abstenção. O objectivo? “Alertar para a necessidade de uma democracia forte e saudável, que só é conseguida com a participação de todos.”

Começou a interessar-se pela política desde cedo. A crise económica que se foi instalando em Portugal a partir de 2008 fez com que Gonçalo começasse a acompanhar os noticiários e a ver um futuro ligado à economia — até lá queria seguir ciências ou engenharia. Trocou Viseu por Lisboa, em 2016, para ingressar no curso de Economia na Nova School of Business and Economics. E já ao longo do percurso escolar tinha participado em projectos de associativismo como o Parlamento de Jovens e a Associação de Estudantes, iniciativas que enquadra no que chama “política no geral”: aquelas que são ligadas à cidadania e “em que toda a gente pode ter um papel”.

Foi enquanto navegava no Linkedin que se deparou, através de um amigo, com o destavezeuvoto.eu, uma plataforma onde as pessoas inserem alguns dados pessoais e fazem um compromisso: “Ao inscrevermo-nos no programa, estamos a tomar uma posição, a dizer que nas próximas eleições vamos votar e vamos tentar convencer amigos a fazer o mesmo”, explica Gonçalo. Usou as redes sociais para espalhar a mensagem e, em Setembro de 2018, soube que tinha sido, em toda a Europa, a pessoa que mais recrutou: 559.

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Os jovens distinguidos pelo programa, com Antonio Tajani DR

Como distinção, ganhou uma ida a Estrasburgo com mais nove jovens europeus, que também se destacaram no recrutamento, para assistir ao discurso do Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, no âmbito do State of the Union, e ter “uma breve reunião” com Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu. Desde então, não tem parado. Em Novembro, foi convidado pelo gabinete do Parlamento Europeu em Portugal para viajar até Bruxelas e participar “num seminário para jovens jornalistas, enquadrado nas eleições europeias”, e esteve em Haia, na Holanda (onde fez Erasmus), a assistir a um evento promovido por voluntários do destavezeuvoto.eu.

Por cá, tem andado em escolas a falar da UE: “O projecto Understanding Europe (inserido no Parlamento Europeu de Jovens) junta um grupo de voluntários que dão cursos de quatro horas, acerca da UE e as suas instituições, a alunos do secundário de qualquer parte do país”, explica. Mas Gonçalo também quer discutir com os da sua idade: tenciona organizar um evento na faculdade, inserido no destavezeuvoto.eu, que permite que os voluntários preparem iniciativas com o apoio do Parlamento Europeu, tal como a que assistiu na Holanda.

“Fazem falta movimentos ou abordagens mais apropriadas àquilo que a juventude realmente vive, aos desafios com que nos deparamos”, defende o jovem, que faz parte do Volt, um movimento que já formou partido em vários estados-membros da UE (Alemanha, Bélgica, Bulgária, Espanha e Holanda) e pretende formar também em Portugal. E, para Gonçalo, é preciso “solidariedade e união entre os vários espaços da UE”: “Os líderes dos estados-membros têm uma visão muito eleitoralista e não olham para o bem da Europa”, lamenta.

Apesar de não querer um futuro ligado à política partidária, quer “mais debate, focado verdadeiramente na Europa” e espera que “as forças extremistas e nacionalistas não ganhem uma expressão demasiado forte”. Ambiciona também, “obviamente”, que “os níveis de abstenção sejam reduzidos substancialmente”. Afinal, é para isso que tem trabalhado.

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