Bruxelas prepara "ataque" às notícias falsas

O combate à manipulação do processo eleitoral envolve um sistema de alerta rápido para detectar notícias falsas, uma equipa de verificadores de factos permanentes, e parcerias com gigantes tecnológicos.

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Dados do Eurobarómetro notam que há 83% de eleitores preocupados que as notícias falsas sejam um perigo para a democracia LUSA/PATRICK SEEGER

A União Europeia prepara-se para lançar um sistema de alerta rápido para detectar notícias falsas. Faz parte de um “Plano de Acção” global contra a desinformação que foi anunciado o ano passado.

Sabe-se que vai existir um ponto de contacto para cada um dos Estados-membros. Em Portugal, será Luís Barreira de Sousa, embaixador especial para as questões de cibersegurança, a coordenar a informação. Ainda não são conhecidos detalhes sobre o cargo.

Bruxelas explica que o projecto está assente numa “plataforma digital segura” e que as informações apresentadas virão de “fontes abertas” para impedir “tentativas coordenadas de agentes estrangeiros para manipular o debate.”

“O sistema estará pronto por volta de Março”, disse ao PÚBLICO a porta-voz da Comissão Europeia, Maja Kocijancic. “Ao conectar governos e especialistas através dos Estados-membros, [o sistema] vai-nos ajudar a apresentar uma resposta europeia aos desafios da desinformação."

Está também a ser criada uma rede de verificadores de factos para a qual está previsto um financiamento inicial de 2,5 milhões de euros ao abrigo do Mecanismo Interligar a Europa (investimento para melhoria das redes de transporte, energia e digital). Haverá equipas para identificar em tempo real campanhas organizadas a partir do exterior.

Dados recentes do Eurobarómetro notam que há 83% de eleitores preocupados que as notícias falsas se tornem um perigo para a democracia.

O sucesso dos projectos depende ainda da colaboração de empresas como o Google, o Facebook, e Twitter, que assinaram todas um Código de Prática Europeu contra a desinformação. Em Agosto, foram eliminadas centenas de contas nestas plataformas que tentavam causar discórdia sobre assuntos que iam desde presidência de Donald Trump ao conflito israelo-palestiniano.

“Dois terços dos europeus estão preocupados que sejam usados dados pessoais para escolher as mensagens políticas que vêem”, lembrou Julian King comissário europeu responsável pela União da Segurança, num discurso no final de 2018. “Não podemos permitir que a Internet se torne um faroeste onde vale tudo.”

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