Crítica

Auto-ajuda de hipermercado

Amadorismo nada inspirado e, sobretudo, uma singular mistura de ingenuidade e calculismo bastante pacóvios.

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Insólito objecto, este, feito com a “eficácia” escorreita de um telefilme mesmo se tudo indicia um amadorismo nada inspirado e, sobretudo, uma singular mistura de ingenuidade e calculismo bastante pacóvios e reversíveis (porque a ingenuidade parece calculada e o calculismo parece ingénuo).

A magna questão da “felicidade” através da história de um médico que quebra todas as regras da deontologia fazendo falsos diagnósticos de cancro terminal aos seus pacientes, para que eles “aproveitem” a vida e se apercebam do seu carácter “sublime”.

O médico tem também um “duplo”, saído de um filme de torture porn (tipo Saw ou afins), que em cenas bastante patéticas rapta pessoas para lhes remover alguns dos sentidos, com o mesmo propósito que reflictam sobre a “felicidade” e se apercebam de que ela é uma questão de “vontade”. Parece a versão “audiovisual” (expressão que é, neste caso, preferível a “cinematográfica”) daqueles fenómenos literários de hipermercado que mascaram banalidades de auto-ajuda sob a forma de romance ou poesia. Mais meios, ou mais dinheiro, não iam comprar o que falta a Uma Vida Sublime: uma visão do mundo e uma concepção do cinema menos simplórias.