Exílio forçado por causa da menstruação mata mulher e dois filhos no Nepal

A tradição da segregação das mulheres durante a menstruação passou a ser punida como crime em Agosto de 2018, mas o flagelo continua.

Uma mulher nepalesa pede perdão ao Deus Sapta Rishi pelos pecados cometidos durante a sua menstruação no festival Rishi Panchami
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Uma mulher nepalesa pede perdão ao Deus Sapta Rishi pelos pecados cometidos durante a sua menstruação no festival Rishi Panchami NAVESH CHITRAKAR

Uma mulher e os dois filhos morreram isolados numa aldeia remota do Nepal devido a uma tradição religiosa hindu que obriga mulheres a isolarem-se durante a menstruação.

A mulher de 35 anos e os dois filhos foram encontrados mortos por familiares, na quarta-feira, numa pequena cabana em Bajura, a cerca de 400 quilómetros a noroeste da capital, Katmandu. 

O chefe do distrito de Bajura, Chetraj Baral, acredita que as mortes se deveram à inalação de fumo.

De acordo com o jornal Kathmandu Post, a cabana, construída para as mulheres da família praticarem o chamado chhaupadi, não tinha janelas nem ventilação.

A tradição religiosa hindu chhaupadi, praticada na parte ocidental do Nepal, proíbe as mulheres de estarem em contacto com outras pessoas durante o período de menstruação. A segregação das mulheres durante a menstruação é transversal na sociedade nepalesa. Estima-se que ocorra em 95% do território. 

Em 2005, o Supremo Tribunal do país proibiu a prática, hoje punível com pena de prisão. Ainda assim, nos últimos dois anos, pelo menos quatro mulheres morreram no Nepal em situações semelhantes.