Ministro da Defesa compara TVI a incendiários

O ministro da Defesa afirmou esta sexta-feira que o convite da TVI ao líder de extrema-direita, condenado por crimes de ódio racial, é perigoso nos "tempos complexos" que vivemos. TVI não vai comentar.

Foto
Ministro da Defesa partilhou o texto de opinião de Rui Tavares no PÚBLICO LUSA/JOÃO RELVAS

João Gomes Cravinho, ministro da Defesa, afirmou esta sexta-feira que o convite feito pelo programa Você Na TV da TVI a Mário Machado, condenado por crimes de ódio racial, “não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver as labaredas”. 

Numa publicação feita na sua conta de Twitter, o ministro da Defesa partilhou a crónica de Rui Tavares publicada esta sexta-feira no PÚBLICO sobre “a responsabilidade moral da TVI ao apresentar um criminoso racista” e “apresentá-lo como mero autor de declarações polémicas”.

“Vivemos tempos complexos, e é preciso ter a noção que uma atitude destas por parte da estação em causa não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver as labaredas”, analisou João Gomes Cravinho.

Mário Machado é ex-líder da Frente Nacional e líder da Nova Ordem Social. No programa desta quinta-feira, o dirigente de movimentos ligados à extrema-direita defendeu a necessidade de um ditador em Portugal como Salazar e o responsável pela rubrica, Bruno Caetano, corroborou.

Logo após a exibição do programa, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu várias queixas em relação à presença do líder de extrema-direita e à pergunta lançada pelo apresentador Manuel Luís Goucha na sua página de Facebook: “Precisamos de um novo Salazar?”. Questionado pelo PÚBLICO, o regulador não adianta, nesta fase, quantas participações recebeu.

Mário Machado esteve preso mais de uma década ao longo da sua vida pela prática de vários crimes, entre os quais discriminação racial, coacção agravada, posse ilegal de arma e ofensa à integridade física qualificada e ódio racial. Um desses crimes está relacionado com o assassinato de Alcindo Monteiro, cidadão português de origem cabo-verdiana, espancado até à morte a 10 de Junho de 1995, no Bairro Alto, em Lisboa, pelo grupo de skinheads Hammerskins Portugal.

O PÚBLICO contactou Helena Forjaz, directora da Media Capital para o Entretenimento, que afirmou que não iria comentar as declarações de João Cravinho, acrescentando que "a seu tempo a TVI ia tornar pública a sua posição" sobre o programa de quinta-feira.

Manuel Luís Goucha, apresentador do programa Você na TV, sublinhou em declarações ao PÚBLICO que não decidiu a presença de Mário Machado, mas vincou que esta é "uma oportunidade de ouro para confrontar argumentos e ideias". "Chama-se a isso viver em democracia", afirmou.

"Nem a Maria [Cerqueira Gomes, que substituí a saída de Cristina Ferreira para a SIC] nem eu nos revemos nas ideias do convidado. Mas as ideias, por muito perigosas que sejam, devem ser debatidas e contrariadas com outras ideias que nos parecem justas e que a própria História e práticas democráticas nos provaram que são justas", defendeu Manuel Luís Goucha.