Autarca de Borba diz-se orgulhoso com as indemnizações pagas pelo Estado

António Anselmo recebeu com agrado a decisão de avançar com indemnizações às famílias das vítimas da derrocada da estrada EM255, mas preferiu não comentar eventuais responsabilidades da autarquia.

Relatório preliminar aponta responsabilidades directas à autarquia
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Relatório preliminar aponta responsabilidades directas à autarquia LUSA/NUNO VEIGA

O presidente da Câmara de Borba, António Anselmo, reagiu na noite de quinta-feira à decisão tomada pelo Conselho de Ministros de avançar com indemnizações às famílias das vítimas da derrocada de 19 de Novembro. Em declarações à TSF, garantiu sentir-se orgulhoso do Estado que, disse, lhe deixou muitas dúvidas no passado.

"O Estado, independentemente de assumir ou não [as responsabilidades], tomou a atitude correcta. De resto, naturalmente que as coisas irão ser investigadas e revistas. Esta atitude do Estado português é, de facto, a atitude de um Estado. Infelizmente, por muitas vezes já duvidei do Estado mas sinceramente, hoje estou contente com o Estado que temos em Portugal, que felizmente assumiu. Depois, cá estaremos. O importante nestas coisas é assumir aquilo que tem de ser feito", afirmou o autarca da cidade alentejana.

Já esta sexta-feira de manhã, na RTP, o autarca repetiu que se sente "feliz por ser português e o Estado português ter decidido ser Estado". Quanto ao resto, depois se verá. "Primeiro deixamos terminar o inquérito, depois iremos ver quais são as conclusões desse inquérito. Depois veremos quem é o culpado, se é o Estado central ou local. Depois falaremos", insistiu.

O PÚBLICO avançou esta sexta-feira que o relatório preliminar da Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Território (IGAMAOT) responsabilizou a autarquia por nada ter feito para encerrar a estrada, apesar de ter sido avisada para os potenciais riscos de instabilidade do talude, pelo menos desde 2014.

Nas declarações que prestou na quinta-feira à TSF, António Anselmo preferiu desvalorizar a responsabilização da tragédia, colocando de novo o foco nas indemnizações: “Se a culpa é do Zé ou do Manuel… neste momento a culpa não é de ninguém, sei lá de quem é a culpa. Agora, a atitude do Estado orgulha-me enquanto português e ainda bem que tomou essa atitude”.

O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, rejeitou que as compensações fossem equivalentes a uma assunção de culpa, afirmando que o Estado “não assume qualquer responsabilidade pelo acidente”, mas sim “a responsabilidade pela indemnização das famílias”.

O Presidente da República tinha insistido na ideia de que existiria uma “responsabilidade objectiva do Estado”, contrariando o primeiro-ministro, que garantira não haver “uma evidência de responsabilidade do Estado”.

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