Crónica

Palavras, expressões e algumas irritações: combustível

A subida dos “combustíveis” está a “incendiar” Paris. Por cá, a esquerda chumbou a eliminação do imposto adicional sobre os ditos. PSD e CDS “inflamaram-se”.

“Que arde”, “que tem a propriedade de se consumir pela combustão”, regista um dicionário enciclopédico ao descodificar a palavra “combustível”. Num outro dicionário, descreve-se: “Matéria cuja combustão produz uma quantidade de energia significativa.” E dá-se uma frase exemplificativa: “A subida do preço dos combustíveis.”

É essa subida que tem vindo a “incendiar” Paris. Ontem, mais detidos e feridos resultaram da manifestação nos Campos Elíseos dos chamados “coletes amarelos”, a juntar às duas dezenas de feridos e mais de uma centena de detenções no fim-de-semana passado.

A reunião que tiveram com o Governo não foi ao encontro dos seus desejos. “Primeiro-ministro disponibilizou-se para dialogar, mas garante que o aumento do preço dos combustíveis vai mesmo acontecer” e “Macron preocupado com a imagem de França, mas não recua no imposto sobre o combustível”, lia-se numa notícia de terça-feira.

É de “combustíveis fósseis” que se trata: “Resíduo de organismos acumulados no interior da Terra, com elevado teor de carbono e oxigénio, como os carvões, o petróleo bruto e o gás natural.”

Os que Bruxelas quer abandonar até 2050. A UE pretende deixar de recorrer aos combustíveis fósseis para garantir o abastecimento eléctrico, sustentar a sua rede de transportes ou alimentar a produção industrial nos Estados-membros. Isto para conseguir impacto neutro no clima.

Em sentido figurado, “combustível” pode significar “que facilmente se inflama, se apaixona”. Ou ainda “causa”, “motivo”, “alimento de perturbação”, “tumulto”.

Por cá, PS, PCP, BE e PEV chumbaram eliminação do imposto adicional sobre os “combustíveis”. De nada serviu que PSD e CDS se “inflamassem”.

A rubrica Palavras, expressões e algumas irritações encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO