Boca Juniors procura vencer final na secretaria

Presidente do clube argentino apresentou um requerimento junto do tribunal da CONMEBOL, pedindo uma análise aos incidentes de sábado à luz do regulamento.

Adeptos esperam decisão da CONMEBOL sobre nova data
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Adeptos esperam decisão da CONMEBOL sobre nova data Reuters/MARCOS BRINDICCI

Os incidentes que, na tarde de sábado, envergonharam o futebol argentino, podem ter consequências bem pesadas para o River Plate. O presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, apresentou um requerimento junto do tribunal da Confederação Sul-Americana de futebol (CONMEBOL), entidade desportiva responsável pela Taça Libertadores, maior competição de clubes da América do Sul, com a esperança de que a violação dos regulamentos de segurança signifiquem a eliminação do River Plate e, consequentemente, a conquista do troféu por parte do Boca Juniors. Após o ataque ao autocarro que transportava a formação do Boca, a final foi adiada por duas vezes antes de ter sido definitivamente suspensa.

“Fizemos uma denúncia de 15 páginas com transcrições exactas de tudo o que se passou, com relatórios médicos e policiais. Tudo isto tem de ser analisado à luz dos regulamentos da CONMEBOL. Devemos isso aos nossos adeptos pelo passado recente”, reiterou o dirigente do clube do Boca, em conferência de imprensa.

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Pablo Pérez foi um dos jogadores mais afectados pelo ataque JUAN IGNACIO RONCORONI / LUSA

Em 2015, um ataque dos “xeineres” — alcunha dos adeptos do Boca Juniors — aos jogadores do River Plate no La Bombonera, significou a desqualificação do emblema argentino e a passagem automática dos rivais aos quartos-de-final da competição. O recinto do Boca Juniors foi interditado por oito partidas, devido aos graves incidentes que incapacitaram vários jogadores do emblema adversário. Os “millonarios” — nome referente ao River Plate — invocaram o 18.º artigo do regulamento que prevê a derrota para o clube infractor em caso de distúrbios no estádio ou nas imediações do recinto desportivo.

“Sou dos que pensa que os jogos se ganham dentro e fora do campo, mas também tenho a responsabilidade de ser o presidente do clube. Muitas vezes tenho de esquecer a minha opinião pessoal e prender-me a um estatuto. Fizemos uma apresentação invocando os artigos que não se cumpriram [no sábado] e agora esperamos a decisão da CONMEBOL”, detalhou Daniel Angelici.

River quer jogar no Monumental

Ainda antes de a decisão da entidade desportiva sul-americana ser conhecida, os dirigentes de ambos os emblemas vão reunir-se, esta terça-feira, no Paraguai, com vista ao agendamento de nova data para a final. Rodolfo D’Onofrio, dirigente do River Plate acredita que o jogo volte ao Monumental de Nuñez e que os adeptos “milionários” possam assistir ao encontro: “O River nunca quis jogar em vantagem. Assinamos um documento para jogar hoje [domingo], mas não foi possível. Tudo bem. Não tenho dúvida nenhuma de que o jogo será disputado com no Monumental e com adeptos”.

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Forte policiamento não foi suficiente para evitar confrontos STRINGER / REUTERS

As imagens do ataque aos jogadores do River Plate correram mundo, manchando, uma vez mais, a reputação do futebol argentino. Rodolfo D’Onofrio criticou os prevaricadores, chamando-lhes “inadaptados” e aproveitando para deixar uma crítica à escolta policial que acompanhou a viatura do Boca Juniors: “É lamentável o que se passou. É incrível que a escolta ao Boca não tenha sido o que se esperava. Cinco ou dez inadaptados privaram o mundo de ver um River-Boca”.