Opinião

Potência elétrica contratada – uma explicação

Não serei exemplo para ninguém, cada um fará a sua opção, mas não desisto de insistir na minha “exortação”.

Pensei mandar um mail ao João Miguel Tavares e uma carta para a SIC a propósito do artigo de terça-feira e da peça de há dois dias, tudo em volta da minha sugestão para que as famílias olhassem para a potência contratada de eletricidade que têm em casa, mas porque imagino que mais comentários surjam optei por esta forma.

Começo por repetir uma explicação que já dei, logo no dia a seguir à minha intervenção na Assembleia da República. O exemplo de então (uma casa com quatro pessoas), estando longe de ser inverosímil, foi pouco fundamentado e emendei-o. Fi-lo no imediato e foi transmitido por alguns órgãos de informação (dou a TSF como exemplo). Reconheci que assim era, mas para quem tem por escopo procurar o mal, isso não interessa nada. Para estes, quem se engana é arrogante, quem corrige não é humilde. A comparação que é feita com o governo anterior não tem qualquer cabimento. Isto porque ainda não ouvi nenhum dos ministros que ao tempo sugeriu a emigração aos portugueses a vir retratar-se do erro que cometeu.

Do universo de clientes de baixa tensão que existem em Portugal, cerca de três milhões (quase metade) tem contratos em que a potência contratada é inferior a 3,46 kVA. Estes são os contratos todos, não podendo isolar-se os domésticos, mas concordaremos que cerca de 80% o deverão ser.

A potência contratada de minha casa é de 3,45 kVA (escrevo isto porque muitos quiseram saber qual seria, insinuando que sugeri que outros fizessem o que eu não faço). Não serei exemplo para ninguém, cada um fará a sua opção, mas não desisto de insistir na minha “exortação”, até porque o exemplo da chaleira e do frigorífico do João Miguel Tavares não tem qualquer adesão à realidade, e a simulação da SIC é um exercício de falta de rigor.

O que se passa é o seguinte. Suponho que a grande maioria dos portugueses não sabe qual a potência contratada que tem em casa. E a que tem, as mais das vezes, não corresponde a uma escolha informada mas a uma decisão do comercializador de energia elétrica. É normal que assim seja, não é bom que seja assim.

Por isso a “exortação”. Saibam qual a potência contratada que têm em casa, avaliem se se ajuste ao perfil de consumo dos vossos, e façam a gestão mais inteligente da disponibilidade elétrica que contratarem.

Percebo bem o cotejo que é feito entre esta “exortação” e a proposta de redução do IVA para as potências abaixo de 3,46 kVA que consta da proposta de Lei de Orçamento do Estado. Eu próprio contribui para ela pois a minha sugestão (na qual insisto) e o exemplo que dei (do qual desisto) surgiu numa resposta sobre este tema. Para mim, são mesmo coisas diferentes. As variações do IVA são decisões anuais, a eficiência energética é uma questão de fundo.

Para o ano o preço da energia vai baixar, muito para além daquela que vier a ser a decisão do Parlamento sobre o IVA. No legado do anterior governo está escrito que a energia elétrica deveria aumentar a cada ano 1,5% a 2% acima da inflação. Este ano baixou 0,2% e em 2019 baixará 3,5%. E vai baixar pondo os principais poluidores a contribuir para essa redução a partir de transferências do Fundo Ambiental que atingirão os 160 milhões de euros, reduzindo com expressão o défice tarifário da energia que a cada ano contribui negativamente para a fixação do valor que cada um de nós paga.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico