Monte junto à estação ferroviária vai acolher habitação a custo controlado

O estudo prévio contempla também uma plataforma de transporte intermodal, um parque de estacionamento e um parque urbano na zona mais alta.

Zona fica junto da estação
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Zona fica junto da estação marco mauricio / arquivo

O Monte Cavalinho, zona arborizada de 15 hectares, contígua à estação de caminhos-de-ferro de Guimarães, vai-se transformar num parque urbano, com espaços de lazer e trilhos, alguns deles já existentes. Na orla desse futuro parque, ao lado da estação, está prevista a criação de uma via rodoviária, destinada a aliviar o trânsito naquela zona, acompanhada de 251 fogos habitacionais com preços controlados. Junto à rotunda da Avenida D. João IV, já em plena malha urbana da cidade, deve surgir um parque de estacionamento para servir quem mora ali perto e quem pretende utilizar outros transportes a partir daquele ponto.

Aprovado por unanimidade na reunião de Câmara extraordinária desta terça-feira, o estudo prévio para o local visa a criação um “espaço urbano onde as pessoas vivem, trabalham e convivem com o parque” e também a melhoria da ligação entre a cidade e o centro urbano de Urgezes, justamente a Sul do Monte Cavalinho, realçou Marta Labastida, arquitecta da Universidade do Minho e autora do projecto.

Embora possa vir a sofrer alterações, o documento fixa as condições que o presidente da Câmara, Domingos Bragança, vai apresentar, na sexta-feira, aos interessados no loteamento, na terceira hasta pública relativa ao terreno, cujo preço mínimo é de 2,75 milhões de euros. O projecto estava a cargo da imobiliária Investimento Certo, que depois entrou em insolvência. A autarquia, recorde-se, anulou, no passado mês de Junho, um leilão do terreno, para impedir a concretização do projecto anteriormente previsto – incluía cerca de 700 fogos habitacionais, com um edifício com 15 pisos e outros com cinco a seis pisos. No início de Julho, a Câmara aprovou a mudança da configuração urbana prevista para o local e disponibilizou-se a adquirir o terreno.

Para Bragança, o estudo urbanístico consegue “ter em conta o crescimento da cidade e a paisagem natural do Monte Cavalinho” e garante, ao mesmo tempo, a oferta de habitação para “famílias com rendimentos moderados”, entre 700 e 1.500 euros, e para os estudantes que precisem de alojamento. O autarca socialista realçou igualmente que o projecto é urgente para a cidade e vai ser concretizado nos “próximos dois, três anos”, seja por iniciativa privada ou pública.

O líder da oposição no executivo municipal, André Coelho Lima, realçou que o estudo urbanístico mereceu a sua concordância, por salvar a cidade de “um atropelo urbanístico da maior gravidade” e pela oferta habitacional a custos controlados, mas considerou, porém, que a via rodoviária prevista, quase paralela à linha ferroviária, é insuficiente para descongestionar o trânsito que flui entre a cidade e a zona Sul do concelho.

A possibilidade da Câmara adquirir o terreno também preocupa o vereador social-democrata. Coelho Lima frisou que a imposição para um eventual promotor construir o parque de estacionamento, além das habitações e da via rodoviária, pode deixar a autarquia como única interessada no terreno. “Isto pode fazer com que ninguém apareça. Eu quero que esta seja uma proposta para ir a mercado e não para a Câmara assumir”, disse. Face a tais dúvidas expostas, Bragança frisou que o parque de estacionamento terá de ser construído pelo promotor da intervenção e será gratuito.