Só três hospitais têm nota máxima no tratamento do AVC e são todos PPP

Sistema de avaliação de qualidade criado pela Entidade Reguladora da Saúde analisou informação de 29 hospitais nesta área. Já no enfarte agudo do miocárdio apenas uma unidade chegou ao nível mais elevado de qualidade.

Hospital de Braga recebeu oito notas máximas em 14 áreas avaliadas
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Hospital de Braga recebeu oito notas máximas em 14 áreas avaliadas NEG NELSON GARRIDO

Dos 29 hospitais avaliados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), através do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS), na área do tratamento do Acidente Vascular Cerebral, apenas três receberam nota máxima. Todos eles são geridos por parcerias público-privadas (PPP): Braga, Vila Franca de Xira e Cascais.

Em 2016, as doenças do aparelho circulatório, onde se inclui o Acidente Vascular Cerebral e o enfarte agudo do miocárdio, foram a principal causa de morte em Portugal, segundo dados da Pordata.

O SINAS é um sistema de avaliação de qualidade criado pela ERS, de adesão voluntária por parte dos hospitais. Os dados divulgados nesta terça-feira dizem respeito apenas à dimensão de "excelência clínica", que avalia vários indicadores nas áreas de angiologia e cirurgia vascular, cardiologia, cirurgia de ambulatório, cirurgia cardíaca, cirurgia geral, cuidados intensivos, cuidados transversais, ginecologia, neurologia, obstetrícia, ortopedia e pediatria.

Nesta avaliação foram tidos em conta os episódios de internamento com alta entre 1 de Julho de 2016 e 30 de Junho do ano passado. O regulador explica que o processo tem duas fases. A primeira em que confirma o cumprimento dos critérios considerados essenciais para a prestação de cuidados de saúde com qualidade, "atendendo a indicadores de estrutura e cultura organizacional". E uma segunda fase em que a avaliação da dimensão da excelência clínica se traduz em três níveis: "nível I" para "qualidade base"; II para "qualidade intermédia" e III para "qualidade superior".

“Dos 159 estabelecimentos actualmente abrangidos pelo [email protected] – que representam praticamente todo o universo de prestadores de natureza hospitalar –, 124 (78%) participaram na avaliação da dimensão da excelência clínica”, explica a ERS. Nesta lista estão unidades públicas, privadas e do sector social.

Mesmo tendo passado à segunda parte da avaliação, nem todos os hospitais têm ou deram informação que permitisse uma análise dos 16 parâmetros tidos em conta na dimensão de excelência clínica.

Só uma nota máxima no enfarte

Foi o que se passou com a avaliação da área do tratamento do Acidente Vascular Cerebral. Foram avaliados apenas 29 hospitais. Dos quais somente três chegaram ao nível superior de qualidade, o "nível III". São eles as PPP de Cascais (grupo Lusíadas Saúde), Vila Franca de Xira e Braga (ambos Grupo José de Mello Saúde). Avaliaram-se alguns cuidados prestados durante o internamento, como a medicação, a avaliação fisiátrica e a prescrição de terapêutica adequada no momento da alta para prevenir novas ocorrências.

Já no enfarte agudo miocárdio, os 27 hospitais para os quais havia informação foram avaliados em relação aos cuidados prestados no momento inicial do internamento, à medicação dada no momento da alta e ao risco da mortalidade intra-hospitalar associada a este diagnóstico, ajustada às características específicas de cada doente. Neste parâmetro apenas um hospital chegou ao "nível III", a PPP de Braga. Aliás, esta unidade recebeu oito notas máximas nas 14 áreas em que foi avaliada (de um total de 16).

O único hospital que foi avaliado nos 16 parâmetros da excelência clínica foi o Hospital Eduardo Santos Silva, uma das três unidades do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho que foi notícia pelo pedido de demissão apresentado por 52 directores e chefes de serviço em contestação pela falta de condições e de recursos humanos. Recebeu da ERS 12 notas intermédias, uma máxima e três classificações de "nível I".

Maiores hospitais com menos dados

Quanto aos hospitais mais diferenciados do país, São João (Porto) declinou a avaliação, Santa Maria (Lisboa) só teve nota em quatro áreas (três níveis II e um nível I), São José (Lisboa) recebeu duas notas intermédias, enquanto os hospitais da Universidade de Coimbra foram classificados com uma nota III em ginecologia (histerectomias) e outra I. Já o Santo António (Porto) recebeu classificações em nove áreas, conseguindo uma nota máxima na cirurgia do cólon.

Em relação aos privados, a título de exemplo, o Hospital da Luz Lisboa recebeu três notas máximas, a CUF Infante Santo uma e o hospital Lusíadas de Lisboa outra.

Na síntese que faz aos resultados, a ERS destaca o aumento do número de prestadores que obtiveram nível de qualidade III “nas áreas de cirurgia do cólon (mais 67%) e pediatria – cuidados neonatais (mais 200%), relativamente à última avaliação efectuada referente ao ano 2016 e publicada em Janeiro de 2018”.