Progressão de carreiras nas Forças Armadas descongelada "ainda este ano"

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, fez o anúncio à margem da sua primeira cerimónia militar pública e sublinhou que "todas as lições foram aprendidas" com o caso Tancos.

O novo ministro da Defesa e o novo CEME "estrearam-se" nas comemorações do Dia do Exército
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O novo ministro da Defesa e o novo CEME "estrearam-se" nas comemorações do Dia do Exército LUSA/HUGO DELGADO

O ministro da Defesa garantiu este domingo, em Guimarães, que a progressão das carreiras nas Forças Armadas será descongelada "ainda este ano" e que seguirá "um processo natural". Dá assim resposta rápida a uma das grandes reivindicações do sector, que ainda em Junho tinha marcado uma acção de protesto nesse sentido.

À margem da cerimónia militar que encerrou a semana de celebração do Dia do Exército, no Campo de S. Mamede, João Gomes Cravinho garantiu ainda que as Forças Armadas estarão em situação de poder "cumprir todas as tarefas" que lhe estão confiadas.

"Naturalmente que é uma garantia [o descongelamento das carreiras]. A progressão das carreiras faz parte da funcionalidade do Exército e das Forças Armadas e, portanto, é um processo natural", disse o governante naquele que foi o primeiro contacto com os jornalistas desde que assumiu o cargo, substituindo Azeredo Lopes.

Questionado sobre quando serão descongeladas as carreiras, o ministro teve resposta rápida: "Ainda este ano", disse.  

"Temos um processo natural das Forças Armadas que vai ter continuidade natural e que vai permitir às Forças Armadas ter os efectivos nas diferentes posições que precisa para cumprir todas as suas tarefas", assegurou.

"Todas as lições foram aprendidas"

João Gomes Cravinho sublinhou também ser "fundamental ter a garantia que as lições foram aprendidas" com o "caso Tancos" e que no "próximo par de semanas" será possível divulgar resultados da auditoria à Polícia Judicial Militar (PJM) em curso.

"Aquilo que é fundamental para mim é ter essa garantia, que todas as lições foram aprendidas, e penso que durante o próximo par de semanas será possível divulgar o resultado disso, dar conhecimento aos jornalistas, à opinião pública", afirmou João Gomes Cravinho.

Fonte do Ministério da Defesa explicou à Lusa que Gomes Cravinho referia-se aos "resultados da auditoria extraordinária aos procedimentos internos da PJM, bem como às acções de investigação criminal desenvolvidas e promovidas por aquele corpo superior de polícia criminal, sendo que o relatório deverá estar concluído até ao final do ano", investigação essa pedida a 4 de Outubro ainda pelo anterior titular da pasta da Defesa, Azeredo Lopes.

Em resposta à pergunta sobre o roubo de armas dos paióis de Tancos e a descoberta de uma alegada encenação por parte da PJM para encobrir o desaparecimento e a descoberta das armas abalou a confiança no Exército, o ministro foi peremptório: “A confiança [dos portugueses] nunca deixou de estar lá”, disse.

“Naturalmente que houve coisas que não correram bem, mas o fundamental é agora sabermos, termos a certeza de que as devidas lições foram aprendidas”, explanou. Sobre o que poderá mudar no Exército e na PJM, o ministro adiantou que “aquilo que vai mudar é a correcção do que correu mal” e que isso “está num processo de examinação”.

"O senhor chefe do Estado-Maior estará seguramente em posição de dar as garantias adequadas num curto período de tempo", assegurou João Cravinho.

CEME quer mais operacionais

Por seu lado, o novo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Nunes da Fonseca, alertou para o facto de que "urge implementar dinâmicas de atracção e retenção" de voluntários e operacionais para "inverter a presente tendência" de diminuição de efectivos.

"Urge implementar dinâmicas de atracção e retenção de militares nos regimes de contrato e voluntariado, de modo a inverter a presente tendência de diminuição progressiva de efetivos", defendeu, em Guimarães, Nunes da Fonseca, na sua primeira intervenção pública na cerimónia militar que assinalou o fecho das celebrações do Dia do Exército, no Campo de S. Mamede, em Guimarães.

O novo responsável pelo Exército, que discursava frente ao novo ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, referiu que "ainda no quadro motivacional, e relativamente aos restantes militares do Exército, será identicamente importante reflectir e aplicar racionais que melhor correspondam à realidade actual, em termos de admissões e de perspectivas de carreira".

Nunes da Fonseca, que felicitou Gomes Cravinho no exercício do novo cargo, que ocupa há cerca de 10 dias, aproveitou ainda a cerimónia para "ressaltar a importância do reequipamento".

"O Exército continuará a pugnar pela modernização e aquisição dos seus sistemas de armas, a par da edificação de novas capacidades, a fim de preservar a sua identidade de força armada, capaz oportuna e proficiente", acentuou.

Salientando que o Exército "foi, é e continuará a ser uma instituição estruturante do Estado, cuja missão principal é a defesa da pátria", o CEME lembrou os desafios actuais, referindo que "irão exigir, de todos, humildade, objectividade, forte determinação e crescente dedicação".

Num discurso em que lembrou a importância do Campo de S. Mamede na fundação de Portugal, o substituto do general Rovisco Duarte exigiu que os homens do seu ramo das Forças Armadas se esforcem "incutindo dinamismo de modo a que, com honra, coragem e humanidade" se prossiga o "valioso legado histórico do Exército".

"Orgulhoso do seu historial, guiado pelos valores militares, ciente da sua imprescindibilidade, assente na competência, espírito de sacrifício, dinamismo e criatividade dos soldados que o integram, o Exército assegura tudo fazer para continuar a ser reconhecido pelos seus sucessos e pela permanente disponibilidade para cumprir Portugal", concluiu o general na sua intervenção em Guimarães.