"Basta de impostos", reclama Rui Rio a partir dos Açores

No encerramento do 23.º congresso do PSD-Açores, Rui Rio falou sobre o Orçamento do Estado e disse que "a conversa de que acabou a austeridade é uma imagem de marketing". Também assumiu que o PSD não é de esquerda nem de direita.

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Rumo à Vitória era o slogan de Alexandre Gaudêncio nos Açores LUSA/EDUARDO COSTA
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Rui Rio esteve no encerramento do 23.º congresso do PSD açoriano LUSA/EDUARDO COSTA
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Líder do PSD falou sobre Orçamento do Estado LUSA/EDUARDO COSTA

O líder do PSD, Rui Rio, esteve neste domingo no encerramento do 23.º congresso do partido nos Açores e insistiu que o Orçamento do Estado para 2019 é "um bodo a pobres e a ricos" que não tem nada a ver com o que o país precisa e que "ainda tem o desplante de vir propor uma nova taxa da protecção civil".

"Todos conhecemos a expressão 'bodo aos pobres'. Este Orçamento do Estado (OE) é um bodo aos pobres e aos ricos, a todos aqueles que têm um voto para dar nas próximas eleições europeias e legislativas", sublinhou Rui Rio. "E ainda tem o desplante de vir propor uma nova taxa do protecção civil. Um novo imposto. É tempo de dizer: 'Basta, basta de impostos!' Quando é que isto pára?", questionou-se o líder dos sociais-democratas, justificando que o PSD, em sede de OE, "obviamente vota contra mais esta taxa, que na prática é um imposto". 

Ao terceiro dia dos trabalhos do conclave que serviu para confirmar a eleição do novo líder do PSD-Açores Alexandre Gaudêncio, Rui Rio subiu à tribuna para dizer que acredita na vitória do partido nas regionais açorianas de 2020, mas acredita, antes disso, que o PSD possa "chegar às legislativas em condições de ganhar". Para isso, disse, é preciso "conciliar o PSD" consigo próprio e com a sociedade portuguesa. "O PSD tem todas as condições para ganhar, basta querermos, basta estarmos unidos e sermos sérios na condução do interesse público".

PSD não é de esquerda nem de direita

Na sua intervenção, Rio deu uma espécie de aula de ciência política, focando-se na abstenção. "No caso das eleições para o Parlamento Europeu, temos um adversário de peso: a abstenção. As pessoas abtêm-se porque estão desacreditadas em relação aos partidos políticos, aos outros e ao nosso. O nosso objectivo é voltarmos a aproximar a sociedade do PSD e o PSD da sociedade. Temos de fazer as coisas de forma diferente", assumiu. 

O antídoto para este divórcio entre eleitos e eleitores passa, para Rui Rio, por três aspectos. O primeiro deles tem a ver com a necessidade de desfazer equívocos quanto ao posicionamento do PSD. "O PSD, como o próprio nome indica, é social-democrata e não é de esquerda nem de direita. Somos de centro e isso abarca o centro direita e o centro esquerda. Não somos socialistas nem liberais. Um partido político não é um albergue espanhol. Cá dentro, queremos aqueles que se identificam com a nossa ideologia", afirmou.

O segundo antídoto tem a ver com o funcionamento interno dos partidos. Rio diz que o PSD tem de fazer um esforço para "ter regras transparentes que não permitam golpadas eleitorais", algo que desclassifica os partidos perante a sociedade. "Tudo o que possamos fazer para melhor é um passo vital", garantiu, referindo que a mesma ideia se aplica às questões de ordem financeira

"O último eixo, e esse vão todos perceber bem", disse Rui Rio, é "pôr sempre o interesse público à frente" de tudo, incluindo do interesse do partido e do interesse próprio. "Quando estamos na política nacional temos de ser capazes de, na prática, no terreno, no dia a dia, nunca ceder a razões de ordem táctica do partido".

Erros de governação

A este propósito, o líder do PSD enumerou as reformas de que o país precisa e que "nenhum partido consegue fazer sozinho": na segurança social, no sistema político e no sistema de justiça. "Não podemos deixar de dialogar com os outros, se não Portugal nunca terá o que precisa. Foi por isso que pouco depois de ter tomado posse assinámos dois acordos com o Governo. Estivemos, estamos e vamos continuar a estar disponíveis para construir a descentralização", frisou. 

A disponibilidade do PSD para fazer as reformas necessárias não significa que o partido não saiba o que está a correr mal e não lute contra isso. Em Vila Franca do Campo, onde decorreu durante três dias o congresso do PSD-Açores, Rio enumerou os erros e falhanços do Governo. "Os falhanços começam desde logo pelo facto de este Governo não ter uma estratégia de crescimento económico sustentado", disse.

"Acabados estes quatro anos o que é o balanço da actividade política? Temos dos piores crescimentos económicos da União Europeia, não fizemos nenhuma reforma, não construímos uma estratégica de crescimento sustentado, não fizemos nada para fomentar o investimento público, degradou-se a taxa de poupança, agravámos o endividamento das famílias e atingimos a carga fiscal mais alta da história do país", referiu Rui Rio. É este diagnóstico que leva o social-democrata a dizer: "A conversa de que acabou a austeridade é uma imagem de marketing. Não acabaram com ela. Transferiram-na de um lado para o outro."

Orçamento para eleições

Sobre o Orçamento do Estado, Rio disse que é um engano e que "não tem nada a ver com o que o país precisa", mas sim com o que o "PS precisa para tentar chegar a uma posição confortável em Outubro de 2019".

Quase no final da sua intervenção, e a propósito da degradação dos serviços públicos, Rui Rio falou de Tancos para registar que "é uma função de soberania" que é posta em causa. "O que nós temos de pedir é que a investigação ande o mais depressa possível. É muito mau para o país que isto continue assim", concluiu.

À margem do congresso e citado pela Agência Lusa, Rui Rio comentou as eleições no Brasil, definindo como "gravíssima" a situação vivida naquele "país-irmão" de Portugal. "Espero que, independentemente do resultado eleitoral, o Brasil consiga encontrar um novo rumo", disse Rio assumiu também que os problemas resultaram "acima de tudo de erros cometidos" pelo próprio país, "até pelas forças democráticas, particularmente o PT".

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