Um em cinco estudantes é bolseiro

Número de estudantes que recebe bolsa tem aumentado. É a família que assegura a maioria dos rendimentos dos alunos do superior.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

O número de beneficiários de bolsa de estudo no ensino superior tem vindo a aumentar. Em 2014 eram 63 mil. No ano passado, já se contavam 73.438 estudantes — são um em cada cinco alunos do ensino superior.

A maior proporção de estudantes com bolsa está no ensino público (89%), segundo os dados da Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) relativos ao ano lectivo 2017/2018. Também são estes alunos que vêem mais vezes diferidos os seus pedidos de bolsa. Em 77% das candidaturas realizadas por quem frequenta o público, a resposta é positiva. No caso do privado, isso acontece em 69% dos casos.

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As universidades de Lisboa, Porto e Minho são as que têm mais bolseiros em termos absolutos. Mas, é no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Universidade da Madeira, Escola Superior de Enfermagem do Porto e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que há uma maior proporção de estudantes com bolsa. São cerca de 40%.

Já no que diz respeito às propinas cobradas, em 2017/2018 oito instituições do ensino superior público pediam o valor máximo. Em quatro politécnicos (Cávado e Ave, Bragança, Castelo Branco e Beja) cobrava-se menos.

Os apoios do Estado aos alunos do ensino superior representam, em média, cerca de 6% dos seus rendimentos. É da família, que assegura mais de 70% dessa receita, que os universitários estão mais dependentes. Os dados do estudo Eurostudent, relatório que avalia as condições sócioeconómicas dos estudantes na Europa (com base numa amostra de 4894 alunos portugueses), mostram ainda que os apoios relacionados com bolsas de estudo correspondem, em média, a 222 euros por mês. Os estudantes que não moram com os pais e que recebem apoios públicos são os que vivem com menos dinheiro por mês.

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Uma das conclusões do estudo face a quem recebe apoios do Estado para estudar é que “a pouca escolaridade dos pais pode indiciar origens sociais mais desfavorecidas e mais limitadas nas possibilidades de obtenção de rendimentos”, pelo que, “a incidência de apoios do Estado entre os alunos cujos pais têm menos qualificações, pode ser uma expressão de alguma equidade na atribuição desses apoios — os filhos de pais com o ensino superior a receberem este tipo de rendimento [representam] um terço dos restantes”.

Entre os estudantes, à semelhança do resto da população, há diferenças extremas nos rendimentos obtidos. “O segmento dos 20% com mais rendimentos é 7,9 vezes mais rico do que os 20% dos mais pobres. Em termos nacionais esse valor é de 7,4”, afirma o relatório.