Resistência “pura e dura” leva Ventos e Mares ao Coliseu de Lisboa

O supergrupo Resistência apresenta ao vivo o recém-editado álbum Ventos e Mares. Esta sexta-feira no Coliseu de Lisboa, às 22h. “É continuar, continuar”, diz Tim ao PÚBLICO.

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Resistência, 2018: Fernando Cunha, José Salgueiro, Fernando Júdice, Miguel Ângelo, Mário Delgado, Alexandre Frazão, Tim, Olavo Bilac e Pedro Jóia RITA CARMO
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A capa do novo disco, recém-lançado

Já em 2017 eles tinham deixado essa ideia no ar. Se algum objectivo tinha a Resistência era seguir “até ao fim”. “É, para já, o nosso pacto”, dizia então Miguel Ângelo. O futuro não o desmentiu. Depois de muitos concertos e dois discos, um de originais (Horizonte, 2014) e outro ao vivo (Ao Vivo em Lisboa, gravado em Dezembro de 2015), sucederam-se novos concertos e chegou às lojas o seu novo álbum de estúdio, Ventos e Mares. Que vão apresentar ao vivo em Lisboa esta sexta-feira, no Coliseu dos Recreios, às 22h.

O disco inclui versões de originais dos GNR, Quinta do Bill, Clã, Santos e Pecadores, Xutos & Pontapés, Delfins e Jorge Palma, além de um tema instrumental, Tágide, do grupo Ficções, aqui incluído em homenagem a Dudas, o seu autor (que em 2015 se retirou dos palcos), devido “ao seu inestimável contributo para a nossa Resistência.”

A canção de Jorge Palma que fecha o disco (A gente vai continuar) ajusta-se como uma luva aos desejos da banda. “É continuar, continuar”, diz Tim ao PÚBLICO. “Tivemos belíssimas experiências, em termos musicais e em termos de público, este ano ainda mais do que no ano passado. Estivemos em grandes concertos, em muitas festas da cidade, dias da cidade, com um público muito vasto e muito categorizado.” O disco foi nascendo assim: “Desde o princípio do ano que vimos a arranjar os temas e finalmente saíram em disco as nossas propostas, que fomos experimentando ao vivo.”

Boa equipa, boa estrada

O método de escolher e tratar os temas continua o mesmo desde a estreia, em 1991. “Gostamos de seguir aquela ideia inicial, que é uma pessoa ensinar a outra uma música sua e essa pessoa tocá-la depois à sua maneira. Esse tem sido o método de trabalho da Resistência desde a primeira hora. E depois isto passa para os músicos todos. Graças ao conjunto que temos, essa pequena experiência que era eu ensinar músicas ao Fernando Cunha passou para ser o Fernando Cunha a ensinar músicas aos outros todos.” O grupo tem hoje nove elementos: Alexandre Frazão (bateria), Fernando Cunha (voz e guitarra 12 cordas), Fernando Júdice (baixo), José Salgueiro (percussões), Mário Delgado (guitarra), Miguel Ângelo (voz), Olavo Bilac (voz), Pedro Jóia (guitarra clássica) e Tim (voz e guitarra). Mas a equipa que os acompanha, incluindo o produtor, é mais vasta. “É uma equipa muito boa, que fez uma grande estrada.” E a escolha dos temas para o disco baseou-se muito nessa rodagem, diz Tim. “Por exemplo, o single Zorro [com letra de João Monge e música de João Gil] tem um arranjo que nós fizemos para o festival Às Vezes O Amor, para um concerto que fizemos com o António Zambujo e a Raquel Tavares. A banda gostou tanto do arranjo que me puseram a cantar o Zorro e lá está.”

Sopro do coração, dos Clã, com letra de Sérgio Godinho e música de Helder Gonçalves, foi dos primeiros temas a surgir. “Tentámos fazer uma versão para o nosso cantor Olavo [Bilac], que tem uma voz mais calorosa, e acho que conseguimos. Depois vieram Sete naves, dos GNR, da Quinta do Bill pegámos no Se te amo, mas havia outras, como o Voa, para não falar nos Filhos da nação.” Dos Xutos, escolheram Tonto. “O Miguel disse-me uma vez, numa viagem, que era uma bela canção. E eu disse-lhe: ‘Se gostas porque não a cantas?’ E ele depois cantou.” Já dos Delfins, a outra fonte primária da Resistência, veio Se eu pudesse um dia. “Gosto destas músicas dos Delfins”, diz Tim, “porque têm sempre uma base roqueira muitas vezes escamoteada com os arranjos.”

A grande arma secreta

O concerto do Coliseu dos Recreios, diz Tim, “vai ser de apresentação do disco, com ênfase nos temas novos, mas com lugar para os outros que nós também gostamos muitíssimo de tocar.” Em 2017, em Lisboa e Guimarães, tiveram convidados (António Zambujo e Raquel Tavares), mas desta vez não. “Será a Resistência pura e dura.” Mas o espírito é o mesmo de sempre.

E deve-se ao bom clima de trabalho entre os músicos, diz Tim: “Essa tem sido a grande arma secreta, a coisa melhor que nós temos. Sente-se que as pessoas estão a contribuir, a fazer o melhor que podem, sem contrariedades. E não é fácil, porque são pessoas que estão no activo a 100 por cento, com muitos projectos. Daí terem de ser muito assertivos na Resistência, na gravação, nos concertos. Isso eleva-nos a um nível muito bom, muito alto.” Para continuar, enquanto houver ventos e mares.

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