As réplicas do Tremor em (Las) Ponta Delgada

Depois de quatro anos de festival, o dever era chegar à receita do sucesso. E os ingredientes de Março de 2018 misturaram-se bem: “Houve gente. Ninguém morreu. Os concertos foram incríveis. Estava tudo tranquilo.” Eis o Tremor, cujos cinco dias de experiências musicais abalaram Ponta Delgada, São Miguel, Açores (e, na quinta edição, uma outra ilha, Santa Maria, apanhada de surpresa). Tanto que, ao realizar o Fear and Loathing and Party in Las Ponta Delgada, um documentário sobre o festival de música açoriano, Luis Sobreiro (do Canal 180) não resistiu ao trocadilho e acrescentou um "Las" ao nome da normalmente bem mais pacata cidade açoriana.  

A curta-metragem é "um mergulho profundo" na ilha que, em 2018, recebeu Boogarins, Mdou Moctar, Mykki Blanco, The Mauskovic Dance Band, Três Tristes Tigres, Ermo, Dead Combo ou The Parkinsons

Foram quatro anos a aguardar a oportunidade de conhecer "a fusão da natureza com a expressão artística", que esgotou "um recinto longe de ser comum". Aconteceu, finalmente. E na viagem de volta, o realizador levava na mala o conselho que Diogo Lima, director criativo da promoção audiovisual do festival e natural de Ribeira Grande, lhe ofereceu. “Apontem para gente fixe, para gente feliz. Não cortes para aqueles postais turísticos. Deixa isso para as pessoas, porque elas já sabem que tudo isto é bonito e no meio do nada. E que está cheio de vacas. Na realidade, não interessa assim tanto. É só um isco.” O festival acabou — volta de 9 a 13 de Abril de 2019 — e ficou a vontade de “querer ficar mais tempo”. Palavra de quem é de lá e foi viver para outro lado.

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