Medina reafirma vontade de levar o metro a Alcântara

No debate sobre o estado da cidade, o autarca foi confrontado com as declarações do vereador da Mobilidade ao PÚBLICO. Medina falou ainda dos prédios da Av. da Liberdade e da Casa do Presidente, em Monsanto, usada para alojamento local.

Foto
LM Miguel Manso - Publico

Causou algum sururu a entrevista que o vereador da Mobilidade de Lisboa deu ao PÚBLICO na semana passada, na qual anunciou a criação de uma linha de transporte público entre Alcântara e o Jamor, passando por Ajuda e Belém, dentro da cidade, e em Miraflores e Linda-a-Velha, no concelho de Oeiras. Alguns deputados municipais viram nesse anúncio uma desistência da extensão do metro para a zona ocidental, mas Fernando Medina esclareceu esta terça-feira que mantém esse plano.

“Vai ser uma realidade na cidade”, afirmou o presidente da câmara na assembleia municipal, onde decorreu o debate anual sobre o estado da cidade, que durou mais de cinco horas. Perante as dúvidas levantadas pelo CDS e pelo PCP, Medina disse que está a negociar com o Governo a expansão da Linha Vermelha entre São Sebastião e Alcântara. A par disso, e de acordo com o que o vereador Miguel Gaspar tinha dito ao PÚBLICO, está a ser projectada uma linha de eléctrico ou autocarros rápidos (conhecidos como BRT) para servir uma parte dos dois concelhos vizinhos. “Onde é que retira alguma ideia de que estamos a alterar, a mudar, quando estamos a ampliar?”, atirou Medina ao deputado do CDS, Diogo Moura, que acusara o autarca socialista de não cumprir a palavra dada.

O centrista, bem como outros eleitos, basearam-se na frase dita por Miguel Gaspar na entrevista: “Há uma preocupação da câmara com a zona ocidental – Ajuda, Alcântara, Belém. A orografia é difícil, clivosa, a rede viária não é fantástica, a densidade também não é das maiores da cidade. Existe uma oferta de autocarros, mas sentimos que falta ali um transporte público estruturante, que na nossa opinião não é o metropolitano. Não se justifica o dinheiro que custa o metro pesado para estruturar ali o transporte público.”

Além da crítica ao suposto abandono da expansão da Linha Vermelha, os partidos aproveitaram o debate para mais uma vez mostrarem discordância quanto à construção da linha circular, ligando o Rato ao Cais do Sodré. Pelo PCP, Modesto Navarro acusou o PS de só insistir na criação desta linha “porque aí assentam os planos e projectos de quem manda e tudo determina na especulação imobiliária e negócios dominantes.” Para os comunistas, “hoje quem determina o que Lisboa é e será, se eles puderem, são os grandes fundos financeiros e abutres que não precisam de aparecer para determinarem o que é comprado no sector bancário, o que vai ser construído e onde”.

Semelhante crítica se ouviu de Isabel Pires, do Bloco de Esquerda, que contestou a alteração ao Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE), que prevê que oito edifícios percam o estatuto de interesse público, podendo assim entrar no mercado de turismo e habitação de luxo.

“Falam-se das alterações à composição dos prédios no PUALZE na Avenida da Liberdade como se houvesse uma privatização de edifícios públicos feita por iniciativa da câmara. Isso é verdadeiramente notável. Os edifícios são privados”, respondeu Fernando Medina. “Pura e simplesmente não faz nenhum sentido um edifício manter uma função de equipamento quando não é um equipamento, para mais de uma empresa privada”, acrescentou o autarca, que contudo não disse se já respondeu à carta que Helena Roseta enviou há umas semanas a pedir mais esclarecimentos sobre esta alteração ao plano.

Num debate longo mas sem grande história, em que a câmara e o PS se esforçaram por dar uma imagem da cidade que é diametralmente diferente da da oposição, Medina ainda aproveitou para comentar a mini-polémica que na segunda se gerou pelo facto de a Casa do Presidente, em Monsanto, estar concessionada a uma empresa privada que agora a arrenda a turistas. “Qual seria a crítica que hoje fariam se fosse eu a ocupar aquela casa?”, questionou, após comentários de PSD, CDS, PCP e BE. “Isto foi decidido em 2014, não em 2018. Em 2014 a câmara tinha um quadro de constrangimento financeiro que não tem hoje”, afirmou.