Apenas 5% dos professores chegaram por agora ao topo da carreira

Mais de metade dos cerca de 99.000 professores dos quadros continuavam ainda, em 2017, no 2.º, 3.º e 4.º escalões de uma carreira que tem 10.

O vencimento líquido de um professor no topo da carreira ronda os 1991 euros
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O vencimento líquido de um professor no topo da carreira ronda os 1991 euros Nelson Garrido

O último escalão da carreira docente deixou este ano de ser uma miragem. Com o descongelamento das carreiras iniciado em Janeiro passado, 5053 professores progrediram para o 10.º escalão, que até então se tinha mantido vazio desde a aprovação da actual estrutura em 2010, um ano antes de ter sido decretado um novo congelamento de careiras que se prolongou até 2017.

Segundo os dados disponibilizados pelo Governo, o topo da carreira é agora ocupado por 5% dos cerca de 99.000 professores que estavam nos quadros no ano passado.

Para chegar ao topo da carreira, um professor terá de somar no mínimo 34 anos de serviço, já que o tempo obrigatório de permanência em cada patamar é de quatro anos, com a única excepção do 5.º escalão onde são apenas exigidos dois anos de estadia.

Como o acesso ao 5.º e o 7.ºescalões está sujeito a vagas abertas pelo Governo, na prática o tempo de permanência dos professores nos patamares anteriores (4.º e 6.º) tenderá sempre a ir além dos quatro anos. Um exemplo: dos 14.135 professores que estavam no 4.º escalão desde o início do congelamento em 2011, só 5974 progrediram agora para o 5.º.

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Para subirem na carreira os professores têm de ter também uma classificação mínima de Bom na sua avaliação e 50 horas de formação contínua em todos os escalões, à excepção do 5.º, onde é apenas exigido metade deste tempo.

Apesar de 45% dos docentes terem actualmente 50 ou mais anos, mais de metade dos cerca de 99.000 mil que estão nos quadros continuavam ainda, em 2017, no 2.º, 3.º e 4.º escalão, auferindo um vencimento médio líquido que oscila entre 1180 1332 euros. No topo da carreira levam para casa à volta de 1991 euros.

Os dados disponibilizados pelo Governo mostram que em 2018, por vida do descongelamento das carreiras, subiram de escalão 45.324 docentes. Destes, o maior grupo (10.290) passou para o 9.º escalão. Os mesmos dados indicam que entre 2019 e 2021, ano em que estas progressões derivadas do descongelamento estarão concluídas, vão progredir na carreira mais 60.987 professores.

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Neste período de tempo irão reformar-se 4420 professores, a que se juntarão mais 6377 nos dois anos seguintes. Cerca de metade destes futuros reformados estarão no topo da carreira quando deixarem a vida activa, mas 30 continuarão ainda no 1.º escalão quando tal  acontecer.