Enfermeiros avançam mesmo para uma greve de seis dias em Outubro

Ministério da Saúde adiou reunião que estava marcada para esta-quinta. Sindicatos pedem adesão “massiva” à paralisação que termina no dia 19 com uma manifestação à frente do ministério.

Nos últimos meses os enfermeiros têm feito várias greves e concentrações exigindo a revisão da carreira
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Nos últimos meses os enfermeiros têm feito várias greves e concentrações exigindo a revisão da carreira LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Os enfermeiros vão mesmo avançar com uma greve de seis dias, marcada para 10, 11, 16,17,18 e 19 de Outubro, confirmou ao PÚBLICO o Sindicado dos Enfermeiros Portugueses. Esta quinta-feira deveriam ter realizado mais uma ronda negocial, mas o Ministério da Saúde adiou a reunião para a próxima semana. Os sindicatos apelam para a adesão “massiva” dos enfermeiros à paralisação, que termina com uma manifestação à frente do ministério, em Lisboa, no dia 19.

“O adiamento da reunião determina um apelo massivo aos enfermeiros para aderirem à greve”, disse ao PÚBLICO Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). O mesmo apelo é feito no site da organização numa nota que dá conta do adiamento da reunião e de que, até ao momento, o ministério não enviou “qualquer nova proposta de carreira de enfermagem”.

A greve é marcada pelo SEP, Sindicato dos Enfermeiros das Região Autónoma da Madeira, Associação dos Profissionais de Enfermagem e Sindicato.

No dia 21 de Setembro, quando fizeram o balanço de dois dias de greve nacional, os sindicatos admitiam avançar com uma nova paralisação marcada para Outubro caso o ministério não apresentassem uma resposta às reivindicações dos enfermeiros.

Em causa está a alteração da carreira, com a revisão salarial e a compensação para os enfermeiros especialistas. Actualmente, os especialistas estão a receber um suplemento de 150 euros, que tinha carácter provisório. Mas na última proposta, o Governo colocou este valor como fixo. Os enfermeiros pedem ainda a contabilização dos anos de congelamento para progressão na carreira e a harmonização da mesma para contratos em função pública e contratos individuais de trabalho.

“A poucos dias do início da greve é inqualificável a posição do governo”, afirma o SEP na nota que tem no seu site, onde diz que as concentrações regionais marcadas para o dia 11 podem ser “decisivas para a reunião agora agendada para 12”. Fazem o mesmo apelo para a manifestação nacional marcada para 19.

Ainda esta quinta-feira o SEP e o Sindicato dos Enfermeiros das Região Autónoma da Madeira vão enviar uma carta ao Ministério, a “exigir que a reunião seja feita no Ministério da Saúde com os decisores políticos”.