Rui Rio não rejeita liminarmente “taxa Robles”

Presidente do PSD diz que medida do Bloco para taxar especulação imobiliária “não é assim tão disparatada".

Rui Rio
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Rui Rio LUSA/NUNO VEIGA

Rui Rio não rejeita liminarmente a já chamada “taxa Robles”, uma medida proposta pelo Bloco de Esquerda e que visa taxar a especulação imobiliária e aumentar a receita fiscal.

Já depois do PS, pela voz de Carlos César, dizer que não aceita a proposta do BE, o líder do PSD veio a público dizer que até “não é uma má ideia”. “Não estou a dizer que somos favoráveis aquilo que possa vir a ser proposto pelo Bloco de Esquerda, agora não rejeito liminarmente, não é assim uma coisa tão disparatada", afirmou o presidente do PSD no final de uma reunião com o bastonário da Ordem dos Psicólogos, no Porto.

“Uma coisa é comprarmos e mantermos durante 'x' tempo e outra coisa é andarmos a comprar e a vender todos os dias só para gerar uma mais-valia meramente artificial”, acrescentou.

Rio afirmou ainda que “deve deixar-se o mercado funcionar”, mas “há momentos em que se pode tentar ajustar, de forma a evitar os pesadíssimos custos sociais”.

“Não quer dizer que sou favorável, mas, repito, não rejeito liminarmente. Não posso dizer que é disparatada porque vem da esquerda e se viesse da direita era menos disparatada”, concluiu.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, revelou no domingo que essa taxa seria semelhante à taxação "dos movimentos da especulação em bolsa".

"Quando alguém compra e vende num curto período e faz muito dinheiro paga uma taxa de imposto especial. Também no imobiliário, para travar a bolha especulativa, quem compra e vende num curto período de tempo com muito lucro paga uma taxa de IRS particular, penalizadora", explicou, afirmando que desde Maia.

O CDS reagiu na segunda-feira, considerando que o BE "abriu a caça ao contribuinte" com uma proposta "demagógica" e instou o Governo a dizer o que pensa sobre o assunto.

"É muito importante saber se o Governo quer aproveitar este último orçamento da legislatura para mostrar aquilo que efectivamente o PS, que faz parte do Governo, quer para as finanças públicas do país ou se este orçamento vai, da parte do Governo, ser mais uma manta de retalhos, que acolhe impostos Mortágua, taxas Robles e tudo aquilo que faça parte do discurso demagógico dos partidos que apoiam o Governo", sublinhou João Almeida, deputado centrista.