Rio avisa críticos: quem discorda, deve sair do PSD. E figuras do partido criticam

Deputados contestam e dizem que o PSD "não tem dono"

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Líder do PSD volta a apontar o dedo aos críticos internos LUSA/Rui Farinha

O líder do PSD defendeu, esta sexta-feira, que os sociais-democratas que “discordam do ponto de vista estrutural” deveriam sair do partido à semelhança do que fez Pedro Santana Lopes. O recado de Rui Rio foi deixado no programa da TSF Bloco Central.

“Acho que todos aqueles que discordam, que discordam do ponto de vista estrutural, é mais coerente saírem”, disse Rui Rio, depois de, no passado fim-de-semana, já ter condenado os críticos internos à sua liderança. O líder do PSD defendeu que quem pertence a um partido só tem legitimidade para “criticar construtivamente, mas de forma genuína”. E concluiu: “O que não é bonito é ficar cá dentro destruir o partido com esta liderança.”

A propósito de Pedro Santana Lopes, que saiu do PSD para fundar um novo partido, Rui Rio admite que pode concordar-se ou não com a sua atitude mas “há, pelo menos, frontalidade” e que o ex-líder ganhou assim “legitimidade para criticar”.

Momentos depois de estas declarações serem tornadas públicas, Miguel Morgado, ex-adjunto de Passos Coelho, reagiu num comentário publicado no Facebook. “O PSD não tem donos. Nem pode ser um partido de expulsões, cisões e saídas. Deve ser um partido de agregação, federação e mobilização”, escreveu o deputado naquela rede social.

Num tom mais duro, o presidente da câmara de Cascais contra-ataca: "Mais um pontapé muitos companheiros de partido." Num comentário publicado no Facebook, Carlos Carreiras assume que discorda desta liderança como já discordou de outras em 40 anos de militância no PSD, mas lembra que Rui Rio "já discordou estruturalmente e em condições muito difíceis de lideranças do PSD que tiveram de salvar o país da bancarrota" e que "ninguém o convidou a sair". 

O deputado Carlos Abreu Amorim também condenou as declarações do líder do PSD. “O PSD não é um bando sectário e intolerante que quer excluir aqueles que têm opiniões diferentes. Pelo contrário. O PSD tem de continuar a ser um partido aberto e agregador que se orgulha de incluir no seu denominador comum visões distintas. Convidar a sair quem discorda do líder é típico de um chefe de facção e não de um presidente de um grande partido democrático”, lê-se no seu comentário no Facebook. Carlos Abreu Amorim, que diz que se vai manter no PSD, assinalou que o secretário-geral do partido e o eurodeputado Paulo Rangel discordaram esta sexta-feira do líder sobre a continuidade da Procuradora-Geral da República. “E não deverão sair por causa disso. E bem”, rematou.

A declaração do presidente do partido também não calhou bem ao ex-deputado e ex-secretário de Estado do Ambiente José Eduardo Martins. "É um mau conselho", escreveu no Facebook. "Já eu, apesar da miséria das sondagens, acho que todos somos poucos e que até o Dr. Rui Rio faz falta", acrescentou.

No mesmo programa da TSF, Rui Rio recusou-se a falar da recondução de Joana Marques Vidal enquanto o primeiro-ministro e o Presidente da República não não colocarem o problema em cima da mesa". O líder social-democrata disse ainda que não irá “partidarizar” a questão como tem visto fazer.

Esta manhã, na Universidade de Verão do PSD, Paulo Rangel defendeu que seria “incompreensível” a não recondução da procuradora-Geral da República. Momentos depois, na mesma iniciativa, o secretário-geral do PSD, José Silvano, defendeu o mesmo, a título pessoal, embora referindo que ainda não é tempo de o partido se pronunciar sobre o assunto.