Corveta afundada na Madeira para potenciar biodiversidade

Afonso Cerqueira foi o terceiro navio afundado no arquipélago para a criação de recifes artificiais. Até ao final do próximo ano, estão previstos mais dois afundamentos.

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LUSA/HOMEM DE GOUVEIA

Depois do Madeirense, um navio da marinha mercante que assegurava as ligações entre as ilhas do arquipélago, e a corveta General Pereira D’Eça, esta terça-feira foi outra corveta, a Afonso Cerqueira, a ir ao fundo nos mares da Madeira.

O objectivo, sintetizou aos jornalistas o presidente do governo madeirense, Miguel Albuquerque, é a criação de um “roteiro de recifes artificiais” com potencialidades turísticas ambientais. “O mergulho tem crescido exponencialmente como polo de atractividade do turismo da Madeira”, continuou Albuquerque, que assistiu ao afundamento da Afonso Cerqueira a bordo da fragata NRP Mondego, defendendo que o arquipélago tem de aproveitar o “mar maravilhoso” que tem.

A operação de afundamento da corveta, cedida pela Marinha à região autónoma, custou meio milhão de euros, co-financiados por fundos comunitários, e decorreu no Parque Natural Marinho do Cabo Girão, a Oeste do Funchal.

O navio, que foi descontaminado e despido de todo o material tóxico, foi afundado com recurso a explosivos de corte, ficando a 400 metros da costa, a uma profundidade de cerca de 30 metros. Quinze, se contarmos a partir da ponte de comando.

Além do potencial turístico do mergulho recreativo, o novo recife artificial visa recuperar os recursos piscícolas da área aumentando a biodiversidade e proporcionando um local de abrigo para a reprodução à vida marinha.

Até ao final do próximo ano, projectou Albuquerque, a região pretende realizar mais dois afundamentos. Uma fragata, que não especificou, e o navio patrulha Cacine, que esteve vários anos ao serviço na região autónoma. “Vamos iniciar os processos, e penso que dentro de um ano estarão concluídos”, explicou o chefe do executivo madeirense, precisando que ambos os afundamentos serão realizados na zona leste da ilha: Santa Cruz e Machico.

A corveta Afonso Cerqueira, que pertence à mesma classe da General Pereira d’Eça, mede 85 metros de comprimento e 14 de altura. Construída em 1973, esteve quatro décadas ao serviço da Marinha, com uma tripulação regular composta por sete oficiais, 14 sargentos e 51 praças.

Tanto o Madeirense, afundado em Outubro de 2000, como a General Pereira D’Eça, que foi ao fundo em Julho de 2016, estão localizadas em áreas marinhas protegidas junto à costa de Porto Santo. Ambos, adiantou fonte da presidência do governo regional, têm tido um “efeito multiplicador e agregador da ictiofauna [peixes]”, potenciando em paralelo o crescimento do mergulho amador no Porto Santo, e o consequente “retorno económico”.