Com a taxa de popularidade a baixar, Macron nomeia antigo deputado dos Verdes para ministro do ambiente

Presidente francês faz remodelação minimalista motivada por duas demissões. Ímpeto reformista do Presidente francês enfrenta ventos contrários da economia.

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Macron com François de Rugy PHILIPPE WOJAZER/Reuters

O Presidente francês, Emannuel Macron, nomeou um antigo deputado dos Verdes ministro do Ambiente, na esperança de dar nova vida à sua abalada administração depois de um Verão cheio de problemas e antes de uma nova onda de reformas.

Macron foi obrigado a agir depois de Nicolas Hulot, um popular defensor do ambiente, se ter demitido em direito na rádio na semana passada devido aos, segundo a sua opinião, compromissos ocos do Governo com a política ambiental.

A nomeação de François de Rugy para o substituir reflecte o desejo de Macron de entregar a sensível pasta do ambiente, que inclui a Energia, a alguém mais rijo e com uma carreira política com experiência em conciliar ideais com realidades políticas, disseram os analistas.

O presidente de 40 anos também nomeou Roxana Maracineanu ministra do Desporto para substituir a antiga campeã olímpica de esgrima Laura Flessel, que pediu a demissão por motivos pessoais. Maracineanu é uma atleta olímpica vencedora da medalha de prata em natação. 

A demissão de Hulot foi um golpe para Macron, que ainda está a recuperar de um escândalo com um dos seus guarda-costas em Julho e que se prepara para iniciar reformas para diminuir o emprego no sector público, domar o défice orçamental e optimizar o sistema de pensões. 

Ao longo do seu primeiro ano no poder, o antigo banqueiro de investimentos pareceu intocável, confiante e despreocupado com a sua popularidade decrescente à medida que avançava com reformas favoráveis aos investidores.

Porém, recentemente Macron tem parecido mais vulnerável. 

O crescimento económico está mais lento do que o previsto, destruindo a sua promessa de dominar o défice. O desemprego já não está a diminuir. Geralmente determinado, Macron vacila perante uma iminente reforma na cobrança de impostos. Entretanto, a impaciência dos eleitores aumenta com o seu estilo monárquico e a sua língua afiada.

“Isto não devia ter acontecido com este Presidente. Ele prometeu ser audaz com as suas reformas, eficiente no exercício do poder e na personificação da dignidade. Nos primeiros meses manteve a promessa, mas agora está tudo a correr mal”, escreveu o jornal de direita Le Figaro num editorial na segunda-feira. 

“Ano Zero”

Ainda assim, a reorganização minimalista de Macron, com apenas duas alterações, aponta para um presidente determinado em prosseguir com as suas reformas e em não reagir às últimas sondagens, dizem os analistas.

Ele vendeu a sua reorganização pró-comércio prometendo que irá estimular o crescimento e o emprego, mas os eleitores, desde pensionistas tipicamente conservadores a trabalhadores com baixos rendimentos, queixam-se que as suas políticas favorecem maioritariamente as grandes empresas e os ricos. 

A próxima etapa para o seu governo centrista é combater a despesa social — um acto que exige uma ponderação delicada dado que procura restaurar a sua credibilidade com a esquerda — enquanto o crescimento mais baixo que o previsto faz pressão no défice orçamental.

A vitória eleitoral de Macron, que abalou os partidos franceses mais populares e travou a marcha do partido de extrema-direita Front National, deliciou o comércio francês e os eleitores urbanos e liberais.

Mas dado a comentários arrogantes e por vezes condescendentes, tem tido dificuldades em chegar ao público em geral. 

Uma sondagem da IFOP-Fiducial nesta terça-feira mostrou que apenas 31% dos inquiridos estavam satisfeitos com o seu desempenho, com o apoio a diminuir em todas as faixas etárias, tanto nos de esquerda como de direita. O número diminuiu 10%. 

Está abaixo do seu antecessor François Hollande no período correspondente da sua presidência socialista. Hollande tornou-se tão impopular que foi o primeiro presidente da V República francesa a não concorrer novamente para Presidente. 

“É uma espécie de ‘ano zero’ para Emmanuel Macron. É o princípio da tábua rasa, está a ser limpa, até a sua popularidade está no zero. Tem de ser tudo reconstruído”, disse Philippe Moreau Chevrolet da Faculdade de Ciências Políticas de Paris. 

Num momento raro de humildade, Macron reconheceu na segunda-feira perante jovens estudantes os desafios que tem pela frente. “Há dias que são fáceis e outros que não o são.”