Barcelos quer afirmar-se como berço de Gualdim Pais, nos 900 anos do seu nascimento

Cavaleiro de D. Afonso Henriques e grão-mestre dos Templários, Gualdim Pais nasceu há 900 anos no Minho. As celebrações da efeméride, marcadas para Setembro e Outubro, alastram-se por cinco concelhos, desde Barcelos, que reivindica ser o seu local de nascimento, até Tomar, onde morreu, em 1195.

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A estátua de Gualdim Pais no centro de Tomar DR

Gualdim Pais foi educado no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra. Foi nomeado cavaleiro por D. Afonso Henriques, na sequência da Batalha de Ourique, em 1139. Por ordem do primeiro rei português, rumou depois a Jerusalém, para estudar os castelos aí erigidos pela Ordem Templária. No regresso, tornou-se grão-mestre dos templários em Portugal e transferiu a sede da ordem para Tomar, edificando, aí, a partir de 1160, o complexo que inclui o Convento de Cristo e o Castelo de Tomar. Nos 35 anos que lhe restaram, Gualdim Pais ergueu uma linha de castelos para defender o território, desde Pombal até Idanha-a-Nova.

Estes são alguns dos episódios que as Jornadas Gualdinianas, apresentadas nesta terça-feira em Barcelos, pretendem evocar. De 21 de Setembro até 20 de Outubro, o evento vai assinalar 900 anos do nascimento do monge-cavaleiro, em Barcelos, mas também em Braga, Coimbra, Tomar e Vila Verde, com visitas a alguns dos lugares marcantes da vida do cavaleiro e um ciclo de conferências históricas. Ao longo das jornadas, vão ser também apresentados um romance histórico, escrito pelo barcelense Fernando Pinheiro – O Fronteiro de Deus – A Vida Heróica de D. Gualdim Pais –, e uma peça de teatro baseada nesse livro, da autoria do grupo Nova Comédia Bracarense.

A viagem em torno de Gualdim Pais começará no município que reivindica, precisamente, ser o seu berço: Barcelos. Apesar de a naturalidade do cavaleiro do século XII ter sido até agora atribuída a Amares, Barcelos quer agora fazer vingar uma tese alternativa, assente numa investigação de um historiador de Amares, Domingos Maria da Silva, dada a conhecer à Câmara Municipal de Barcelos em 1953. A vereadora barcelense com o pelouro da cultura, Armandina Saleiro, lembrou que a “História não é estática, mas dinâmica” e que a questão deve “voltar ao meio académico”.

Além da apresentação do romance e da peça de teatro em torno da vida de Gualdim Pais e de duas conferências históricas, as comemorações em Barcelos incluem ainda visitas durante a manhã de 22 de Setembro ao Lugar de Mereces, em Barcelinhos, associado ao nascimento do cavaleiro, em 1118, e às ruínas do Castelo de Faria, que desempenhou um papel na fundação de Portugal.

O programa do fim-de-semana seguinte, em Braga, foca-se na componente assistencialista da Ordem Templária e inclui, por exemplo, uma visita à Igreja de S. Marcos, que guarda ainda marcas da presença dos templários, e uma conferência sobre a história do assistencialismo na cidade, desde a Idade Média até à criação da Santa Casa da Misericórdia, em 1498. Presente na apresentação das Jornadas Gualdinianas, a vereadora da Câmara de Braga para a Cultura, Lídia Dias, enalteceu a capacidade dos cinco municípios para promoverem, em conjunto, um evento que pode “tornar mais marcante” a figura do cavaleiro.

O evento prossegue a 6 de Outubro, em Coimbra, com uma visita guiada ao Mosteiro de Santa Cruz, e passa por Tomar, a 13, dia em que assinalam-se os 823 anos da morte de Gualdim Pais, pelo que está programada romagem pelo túmulo do cavaleiro na Igreja de Santa Maria dos Olivais. Tomar vai acolher também uma conferência sobre a Ordem Templária e um almoço templário. As comemorações encerram uma semana depois, em Vila Verde, com visitas à Igreja Paroquial de Cervães e à Torre de Gomariz, locais onde os cavaleiros templários passaram, e com uma conferência sobre o papel da Arquidiocese de Braga em prol da bula Manifestis Probatum, na qual a Igreja Católica reconheceu o então reino de Portugal, em 1179.